
A minha Meia Maratona de Ovar, na sua 19ª edição – 5 de Outubro de 2007

É engraçado. É engraçado como me deixo arrebatar por emoções e sentimentos que quase me impedem de ser objectiva e clara. Digiro ainda o dia 5 de Outubro de 2007 e as 2h04m em que vivi a 19ª edição da Meia Maratona de Ovar.
Estivesse eu fisicamente melhor preparada, e cada passo não me tivesse custado tanto e certamente veria as coisas de outro prisma.
Valeram-me os muitos amigos que me rodearam. Antes, durante e depois da prova. Tenho sorte. Muita sorte! Ou como diria eu a outros: a sorte fazemos nós. Aos meus amigos, a TODOS eles, aqui agradeço.
Ovar
está em festa. Ovar não é só Carnaval. Desde quase o seu início, tive eu uma
ligação especial a esta prova. Todos os dias 5 de Outubro, se enfeitam as ruas,
e o grande colorido é também dos rostos das gentes.
Este ano não foi excepção. Antes das 10 horas, aquecemos no meio da multidão. Ruas estreitas, de janelas bonitas e trabalhadas, e os azulejos em cada casa, brindam-nos e levam-nos a outros tempos.
Quase 2 milhares para a Meia e mais que isso para a Caminhada, numa cidade de culto da Caminhada, em que os Caminheiros não correm, mas caminham. Primeiro atrás e lá mais para a frente, maravilhosamente ao lado dos atletas, enchendo a avenida ladeada de pinheiros, conduzindo ao mar. Um mar de gente também.
Na cidade ficam as gentes que aplaudem e centenas de crianças correm também numa prova especial para eles.

Ovar, uma cidade e cheirar a mar e a doce pão-de-ló, de gente afável e participativa ela também na corrida, ajudando-nos a terminar mais uma meia maratona.
Um percurso sem carros, bem sinalizado e acompanhado. Bandas a tocar, papelinhos pelo ar, elevando corações e água com fartura para nos refrescar e saciar. O mar. A gente. O asfalto. Os ténis e o suor misturado com água e emoções que nos afloram e brotam à pele a bater no chão e fazendo-nos avançar para a meta.
Não
estamos sozinhos tempo nenhum. Leva-nos a casa este caminho. Na meta um saco de
prémios bem recheado com o tradicional prato de louça, a t-shirt e alimentos.
Voltarei, até que esta chama que trago ao peito se extinga um dia longínquo ainda.
Ana Pereira
5 de Outubro de 2007