À margem da Sportzone 6.ª Milha Urbana Cidade de Ovar

 

AURORA CUNHA VISITA ESCOLAS DO CONCELHO

 

“Gostavas do que fazias?” A pergunta surgiu quase sussurrada, como todas as outras, aliás, pela boca de uma criança. A resposta não se fez esperar: “Para se correr 25 quilómetros todos os dias, muitas vezes ao frio ou debaixo de chuva, é preciso gostar-se daquilo que se faz. Sim, gostava muito do que fazia, gosto muito do Atletismo.” A afirmação é de Aurora Cunha, na sua passagem pela Escola da Oliveirinha, a última das cinco escolas do Ensino Básico do Agrupamento de Escola de Ovar visitadas pela Tri-Campeã Mundial de Estrada no passado dia 19.

 

Integrada nas acções de promoção da Sportzone 6.ª Milha Urbana Cidade de Ovar, a visita de Aurora Cunha a Ovar teve um cunho simultaneamente educativo e lúdico, constituindo uma oportunidade soberana para alunos e professores revisitarem a Idade de Ouro do Atletismo português, tão vincadamente assinalada por nomes como Rosa Mota, Carlos Lopes, Albertina Dias, Fernando Mamede, António Leitão ou Manuela Machado, para além, naturalmente, da citada Aurora Cunha.

 

 

 

 

Acompanhada pela Professora Manuela Pinto, Vice-Presidente do Agrupamento de Escolas de Ovar e por José Ferreira da Silva e Joaquim Margarido, da Comissão Organizadora da Milha Urbana, Aurora Cunha percorreu as Escolas Básicas do 1.º Ciclo de S. Donato, Ribeira, Furadouro, Habitovar e Oliveirinha. Visitou ainda as instalações da Rádio Antena Vareira, onde fez um breve apontamento para o serviço noticioso, cumprimentou a Vereadora da Educação e Desporto, Dra. Conceição Vasconcelos, nos Paços do Concelho, e terminou este verdadeiro périplo na Escola Secundária Júlio Dinis.

 

 

 

 

 

As manifestações de reconhecimento e carinho sensibilizaram enormemente a campeã, que retribuiu com natural atenção e simpatia. Brindou as crianças com centenas de autógrafos, comentou detalhadamente a bonita apresentação em diapositivos preparada pela Escola da Habitovar e posou para as habituais fotografias de grupo. E ainda sobrou tempo para se emocionar com o original ramo de flores de cartolina oferecido pelas crianças da Escola da Ribeira ou aceitar o desafio dos alunos da Escola do Furadouro, fazendo com eles uma corrida.

 

 

 

 

Possuidora dum à-vontade surpreendente, a “menina de Ronfe” colocou-se à disposição das crianças, respondendo às inúmeras questões e aceitando verdadeiros desafios face à compreensível irrequietude das plateias. Todos ficaram a saber que “ser uma campeã é como ser um bom aluno. Eu tinha que treinar muito. Vocês têm que estudar muito.” Falou de si e da filha Mariana que “ganhei quando perdi a Maratona dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992”. Revelou que, “quando era criança, era uma autêntica ‘maria-rapaz’ e passava a vida a brincar ao arco na rua ou no recreio da escola.” Mas aqui, teve de fazer um parêntesis para explicar o que era isso de “brincar ao arco”. E falou do início da sua carreira e “da falta de apoio lá em casa, porque isso das corridas não era para raparigas. Mas hoje sou o orgulho da família.”

 

Ruidosamente aplaudida quando se declarou “portista”, Aurora Cunha deu conselhos sobre saúde e higiene oral, não esquecendo a alimentação e a importância de “comer sempre a sopa”. Enumerou as sete medalhas de ouro ao longo dos 20 anos de carreira na alta-competição, explicou que “o título mais importante foi o de Tri-Campeã Mundial de Estrada, sobretudo porque foi conquistado em Lisboa, em 1986, e perante trinta mil pessoas” e falou da emoção que é ver “a bandeira portuguesa subir no mastro principal enquanto ouvimos o Hino Nacional.” E deixou também uma bela confissão: “Devo ao Atletismo muito daquilo que conheço e que sou hoje. Se não fosse o Atletismo, de certezinha absoluta que eu não estava aqui e não vos tinha conhecido.”

 

JOAQUIM MARGARIDO