I Meia-Maratona Sportzone
EDIÇÃO INAUGURAL DOMINADA POR QUENIANOS
Numa manhã particularmente convidativa, as cidades do Porto e Gaia vestiram-se de luz, cor e alegria para receber a edição inaugural da Meia-Maratona Sportzone. Uma enorme onda laranja invadiu as duas margens do Douro e, numa jornada ímpar de propaganda da modalidade, competição e recriação passearam-se de mãos dadas.
A correr ou a caminhar, na Meia-Maratona ou na Mini-Maratona (6 km), largos milhares de participantes corporizaram um evento que colocou igualmente a tónica na vertente da solidariedade social. Como resultado desta participação massiva, a Organização, a cargo da Sportzone, doou 6.250 € à Casa do Caminho, uma bela prenda para quem faz do acolhimento de crianças em perigo, vítimas de maus-tratos ou de negligência, o seu dia-a-dia.
A “armada africana” confirmou o favoritismo no sector masculino, preenchendo integralmente os primeiros onze lugares da classificação geral. O queniano Jonathan Kipkorir, vencedor da Maratona de Veneza em 2006 e 3.º classificado na Maratona de Roma, em Março deste ano, revelou-se o mais forte entre os mais fortes e triunfou em 1:01:39. Nove segundos mais tarde, entraria o seu compatriota William Todoo, enquanto o vice-campeão mundial de Meia-Maratona 2007 e quiçá o grande favorito à vitória final, o também queniano Robert Kipchumba, contentar-se-ía com a terceira posição, a 16 segundos do vencedor. Paul Tergat, recordista mundial da Maratona e a figura mais mediática entre os presentes, fechou o “top ten”, em cujo turbilhão de quenianos só o etíope Ketema Nigussie, na nona posição, logrou imiscuir-se.
No que aos portugueses diz respeito, António Salvador (Serviços Sociais Município Ovar) viria a ser o melhor classificado, alcançando a 12.ª posição com um registo de 1:06:09. Admitindo que “é melhor a classificação do que o tempo”, António Salvador encontra no facto de ter corrido sozinho praticamente a prova toda, a explicação para um registo que fica aquém das expectativas. “O início foi demasiado rápido e era impossível acompanhar o grupo da frente. Procurei não perder muito o contacto, acabei por me juntar ao Moiben, ao Tergat e ao Nigussie e rolámos juntos entre os dez e os catorze quilómetros. Depois começou um ‘jogo de equipa’ e acabei por ceder e por ficar novamente sozinho no último terço da prova, o que não ajudou.”
Grandes favoritas ao lugar mais alto do pódio, a sérvia Olivera Jevtic e a queniana Elena Cheruiyot, não deixaram os seus créditos por mãos alheias e protagonizaram um belo duelo ao longo da primeira metade da prova. Uma maior capacidade atlética da queniana permitiu-lhe destacar-se paulatinamente da sua adversária, terminando com o tempo de 1:11:23, a que correspondeu o 18.º (!) lugar da geral. Jevtic viria a segurar a segunda posição, a 1:14 da queniana, enquanto Marisa Barros (SC Braga) entraria na terceira posição com 1:13:23 e novo record pessoal. “A certa altura convenci-me de que podia acompanhar as duas adversárias da frente, mas quando a queniana deu um esticão vi que não era capaz”, confessou Marisa Barros, para acrescentar que “ter sido a melhor portuguesa, e dada a concorrência, foi muito bom.”
Para Ricardo Lopes, da Sportzone, “a prova correu muito bem. O número de participantes foi excelente numa prova de estreia e o tempo do vencedor coloca esta Meia-Maratona no 22.º lugar do ranking anual.” Com a fasquia colocada num patamar bastante elevado, e a pensar já na segunda edição da prova, para aquele responsável “a única coisa que podemos garantir é que, no próximo ano, vamos continuar a dar o nosso melhor para procurarmos superar o que foi esta edição inaugural.”
Director Técnico desta I Meia-Maratona Sportzone, Jorge Teixeira fazia questão de demonstrar a sua satisfação pela forma como decorreu toda a prova, sublinhando ter sido esta “uma Meia-Maratona que bateu vários recordes”. Concretizando: “É a primeira Meia-Maratona em Portugal que tem tamanha massa humana. Nenhuma, jamais, em tempo algum, teve estas doze mil e quinhentas pessoas. Depois, nenhuma primeira Meia-Maratona em Portugal teve 1:01:39 e que é também a 22.ª melhor marca do mundo, este ano.” Referindo-se ao projecto, no qual acreditou “desde o início”, Jorge Teixeira confessa que mantém vivo “o sonho de bater aqui o record do mundo. E este tempo alcançado hoje dá-me margem para melhorar.” A receita é só uma: “Ter a sorte de, naquele dia, tudo estar bem: A temperatura, a humidade, o atleta… ter a sorte. Porque, em termos organizativos, a prova está aí!”
CLASSIFICAÇÕES
MASCULINOS
1º Jonathan Kipkorir (Quénia) 1:01:39
2º William Todoo (Quénia) 1:01:48
3º Robert Kipchumba (Quénia) 1:01:55
4º Isaac Kipkoech Kiplagat (Quénia) 1:01:59
5º David Kemboy Kiyeng (Quénia) 1:02:11
6º John Kibowen (Quénia) 1:02:16
7º Wilfried Taragon (Quénia) 1:03:34
8º Steven Kibiwot (Quénia) 1:04:00
9º Ketema Nigussie (Etiópia) 1:04:58
10º Paul Tergat (Quénia) 1:04:58
FEMININOS
1º Elena Cheruyot (Quénia) 1:11:23
2º Olivera Jevtic (Sérvia) 1:12:37
3º Marisa Barros (SC Braga) 1:13:23
4º Fátima Silva (CD Póvoa) 1:19:01
5º Teresa Pulido Fernandez (Espanha) 1:19:32
6º Mónica Silva (JOMA) 1:20:16
7º Doroteia Peixoto (Açoreana Seguros) 1:23:05
8º Aureliana Polónia (Açoreana Seguros) 1:24:35
9º Natália Pinho (Açoreana Seguros) 1:30:08
10º Margarida Pinto (Individual) 1:35:57
JOAQUIM MARGARIDO
(Fotos gentilmente cedidas por Runporto.com)