Uma Mini diferente

 

            O ammamagazine.com é conhecido pela diversidade de “ângulos” de reportagem que proporciona aos internautas. Desta vez, coube-me em sorte fazer a cobertura da grande festa do atletismo português numa óptica interna, nomeadamente, enquanto participante da mini-maratona.

 

            Feita esta introdução, por certo que muitos dos jornalistas que nos acompanharam no autocarro destinado à Comunicação Social que saiu de Alcântara e nos levou até ao local de partida, se estiverem a ler este texto, já entendem o que ali fazia “um maluco” de calções e de crachá “PRESS” ao pescoço. Ainda no autocarro, conheci o Renato Mendes, correspondente da mais importante revista brasileira dedicada ao atletismo – a Contra Relógio – que fazia a sua estreia na prova, tendo, logo ali, surgido uma “parceria” que se viria a estender durante grande parte da manhã daquele dia 18 de Março de 2007.

 

Chegados ao nosso destino cerca de uma hora e meia antes do tiro de partida, iniciámos a nossa marcha pelo meio daquela enorme mole humana, buscando elementos de reportagem que pudessem transformar a missão num enorme sucesso. Foi desta maneira que se fizeram alguns “bonecos” dos atletas vestidos de noiva, de palhaços, etc. Com a ajuda do Carlos Viana Rodrigues, o Mário Trindade cordialmente interrompeu o seu aquecimento, tendo dado uma entrevista ao Renato, facto que permitirá aos brasileiros conhecer o ponto de vista de um grande atleta paralímpico. O mesmo fez o Artur Domingos, actualmente um dos melhores atletas nacionais na distância de maratona e organizador do próximo Campeonato Nacional de Estrada, que se disputará em Quarteira no dia 22 de Abril.

 

Depois, seguiram-se mais umas largas dezenas de “disparos”, muitos deles dirigidos ao Marilson Gomes dos Santos, atleta brasileiro vencedor da São Silvestre de São Paulo e da Maratona de Nova Iorque, outros aos participantes na prova de cadeira de rodas, aos principais atletas quenianos e, também, aos largos milhares de atletas anónimos que ajudaram a fazer a festa da corrida.

 

Dado o tiro de partida e como saí perto dos “Atletas VIP”, tive que iniciar uma  enorme “galopada” … com mais de trinta mil “almas” atrás de mim. Com este considerando, não fiquem admirados por eu ter passado os primeiros mil metros de prova bem abaixo dos quatro minutos, tempo extremamente rápido para as minhas actuais capacidades atléticas. Normalizado o ritmo de corrida, foi-me possível observar o prazer que esta dá à generalidade dos participantes. Basta olhar para os seus rostos, eles dizem tudo. E Lisboa vista da ponte continua a ser uma paisagem magnifica, um verdadeiro cartão postal da capital portuguesa. Por certo, quem se depara com tal beleza, tem sempre vontade de lá voltar.

 

Em Alcântara, não observei problemas de maior na separação entre os atletas da Meia e os “turistas” da Mini e agradou-me o facto de existirem diversos cantoneiros de limpeza nas zonas de abastecimento, prontos para limpar os milhares de garrafas que os sequiosos atletas (estava calor) deitariam para o chão.  Prossegui a minha jornada e, olhando para trás, como sempre acontece, vi que ainda existiam milhares de pessoas que mal tinham passado a linha de partida. Os palcos que a organização montou com cantores, bailarinas, tocadores de tambor, etc, ajudaram a que não desse pelo tempo passar e … quando dou por mim, já me encontro a curvar para a meta instalada em frente ao imponente Mosteiro dos Jerónimos. Ali, ao contrário do que vi durante a maioria dos oito mil metros do percurso, o público estava presente em massa, incentivando e premiando o esforços de todos os que chegavam.

 

Recolhida a medalha, o saco de lembranças e os panfletos das provas vindouras, encontro o Carlos, que ficou a fazer fotos naquele local, e o Renato, tendo seguido com este para a “zona vip”, onde entrevistámos os vencedores e alguns dos melhores classificados. Depois, foi com emoção que vi o sentido abraço de Rosa Mota a Rita Borralho, homenageada com o prémio que ostenta o nome da ex-campeã olímpica. O primeiro ministro José Sócrates, também ele participante na Mini e devidamente equipado, ajudou na entrega dos prémios e atraiu sobre si as atenções de muitos “colegas” da Comunicação Social, muitos deles desconhecedores da realidade de uma prova de atletismo, como pude constatar amiúde.

 

Feitas as despedidas, e após algumas trocas de impressões com os colegas da “AMMA”, estava na hora de regressarmos “à base”. Voltaremos em 2008, com certeza.

 

JOSE DUARTE