Fui para esta prova com o pensamento nessa grande figura do atletismo dos anos cinquenta: Manuel Faria. Foi o 1º português a vencer (1956) a famosa São Silvestre de São Paulo, no Brasil. Várias vezes campeão nacional de cross e de pista, e recordista nacional e Ibérico, em várias distâncias do meio fundo e fundo. Manuel Faria deu os melhores anos da sua vida ao atletismo e ao seu clube do coração, o Sporting Clube de Portugal. Manuel Faria que depois de arrumar as sapatilhas e os "bicos", dedicou-se, primeiro no Sporting e depois noutros clubes, de alma e coração ao treino de jovens potenciais talentos para a modalidade. Foram imensas e longas tardes/noites, primeiro na pista de Alvalade e depois na velha pista de cinza do Estádio Universitário em Lisboa, onde transmitiu aos jovens a sua larga experiência adquirida ao longo da sua excelente e extensa carreira desportiva.


Ás dez horas em ponto, em frente ao Palácio Nacional de Queluz, no seu estilo rococó e apelidado de "pequeno Versalhes", lá partiram os 800 atletas para os 10 km e uma boas dezenas para a Mini (4km). Prova em circuito, relativamente plana, à excepção duma subida pequena ( 2.5 km) e a do Pendão (7 km) bem maior, e que, ainda assim, proporcionou bons tempos a todos atletas dum modo geral. Porém, quando a esmola é grande o pobre desconfia, e ao que consta, o percurso não foi cumprido na íntegra (desta vez não foi batota dos atletas, mas sim uma pequena falha da organização) daí os excelentes tempos conseguidos pelo pelotão. De facto, havia placas quilométricas, e bem colocadas, até ao 6º km, daí para a frente não vi mais nenhuma, o que foi pena, porque são pormenores que no cômputo geral valem muito. Contudo, considero positivo o desempenho da organização, com bons prémios para todos os escalões e brindes a sortear por todos participantes. Este ano (suponho) houve o cuidado de desviar do fim de semana de São João das Lampas, o que deu mais vivacidade e cor a ambas. O G. P. de Queluz continua a crescer, está bem e recomenda-se.



Ao fim de 32 anos de corridas, e perfeitamente ao acaso, tive o grato e imenso prazer de fazer os últimos 1 000 metros e ultrapassar a linha de meta com esse grande exemplo de longevidade, dedicação e competência que é Armando Aldegalega.

De facto, há momentos inesquecíveis na nossa vida, este, agora relatado é um deles. Há muitos anos que me habituei a ver Armando Aldegalega no aquecimento, no momento da partida e, quando chegava à meta já Armando Aldegalega estava equipado com o fato de treino. Porém, os anos não perdoam, e a capacidade física já não é o que era. E parecendo que não (ele parece ser mais novo) há cerca de vinte anos de diferença na idade. Oxalá que eu, daqui a vinte anos, então com 70 anos, faça pelo menos os 10 km, e nem que seja numa hora, porque em 41 minutos como o fez Armando Aldegalega, será completamente impossível!



Bem-haja Armando, e que para o ano nos voltemos a encontrar!

ORLANDO DUARTE

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