A minha, atribulada, prova!

Nesta edição, houve um aumento substancial de participantes, fruto da boa organização do ano passado, da homenagem merecida a José Araújo e pela originalidade de se poder correr em pleno Aqueduto das Águas Livres: 900 inscritos em todos escalões, com 600 na prova principal e 363 classificados ( 60.5 %); 300 inscritos nos escalões jovens, com 223 classificados (74.3 %). Todavia, e infelizmente, há que salientar que, por serem inscrições gratuitas, os atletas em geral, e os seccionistas dos clubes em particular, usam e abusam deste direito, com uma, total, falta de escrúpulos pelos organizadores que, a muito custo tentam exercer este serviço público a favor da modalidade, e sobretudo, dos atletas.


Com a partida dada com 6 minutos de atraso, embora por culpa da equipa motorizada da PSP que, em cima da hora, decidiu ir reconhecer o percurso, deu-me logo um pressentimento que a prova não ia correr bem para mim, como colaborador e como atleta. Porém, a contrariar este sentimento, tudo ia a correr bem, fisicamente e organizadamente: trânsito totalmente cortado, placas quilométricas no lugar e cruzamentos bem sinalizados pelos voluntários. Até que, um pouco depois dos 3 km, à entrada da Bela Flor, o sentido da corrida não é respeitado (mais tarde sou informado que foi por culpa dos batedores da polícia). Não é que, com isto, fizesse-mos mais km, o problema estava no cruzamento dos atletas que desciam com os que subiam para sair da Bela Flor. Fisicamente ia-me a sentir bem e os tempos de passagem estavam dentro da casa do previsto ( 16.04 aos 4km). Nota: os primeiros km eram planos e a descer. Até que, aos 4.5 km, surge a 1ª subida e o km/m sobe para 4´43" atingindo o 5º km em 20´47".


No 6º km há, para mim, a pior e a maior subida do percurso, o que me leva a fazer 5´12" no km. Continuo animado, com força e esperançado, enquanto colaborador, que tudo corresse bem até ao fim. Ao "atacar" a última subida, ouço um barulho estranho atrás de mim, olho para trás e vejo uma rapariga a contorcer-se com dores e um carro (Mercedes?) a fugir, olho para a matricula, tento memorizar, mas, por sorte, surge um batedor da polícia a quem denunciei o atropelo e apelei para que fosse atrás daquele energúmeno, ficando sem saber se havia de socorrer a jovem ou se ia pedir ao agente da polícia, que estava no cruzamento mais acima, que pedisse, via rádio, a presença da ambulância: optei pela última. Nesta azáfama, o 7º km só podia dar um tempo fraco:5´33".


Ainda não estava refeito duma e logo outra situação surge, por lapso do chefe dos escuteiros, na zona de controlo ( 7.5 km), não entrámos na estrada certa de acesso à mata. E aqui sim, houve prejuízo, de mais 200 metros, para os atletas. Parei, discuti com o chefe dos escuteiros, e com esta situação e com o que se tinha passado momentos antes, provavelmente disse algo que não devia ter dito, não sei, se de futuro, não perdemos estes parceiros que sempre nos apoiam, mas…decidi continuar com toda a minha energia, só que, definitivamente, a minha prova tinha acabado no início da última subida.


Ao chegar ao 8º km não vejo a placa, que tinha sido ali colocada (como todas) por mim ainda antes das 8h, olho em redor e avisto-a a cerca de 5 mt., – há "pessoas" capazes de brincarem com tudo – vou lá buscá-la e coloco-a no sítio e tiro o tempo de passagem:37´30" – 5´58"/m!


E quando pensei que não iria acontecer mais casos no último km, deparo-me com a placa do 9º km desfasada para a frente 300 metros (à hora que eu as distribui o portão do Aqueduto ainda estava fechado, mas solicitei a um voluntário que a colocasse no lugar logo que possível), enganando os atletas na gestão do seu esforço nos últimos momentos!


Resultado; tempo péssimo de 46´52", e estou muito triste por todos os lapsos ocorridos, mas, sobretudo, e apesar de ter sido maior o susto que as mazelas provocadas na jovem atleta, aquele barulho que ouvi, 10/15 metros atrás de mim, não me sai da cabeça, e se fosse mais grave?...


Paradoxalmente, estou feliz. Estou satisfeito. Tivemos a presença de José Araújo e duma boa prestação da sua escola de atletismo. Não obstante os seus 83 anos, José Araújo, agora em Queluz, continua a cativar e a incentivar jovens para a prática da modalidade. O meu muito obrigado ao treinador, ao pedagogo e ao Homem!

Por fim, quero agradecer a todos quantos colaboraram e participaram neste evento desportivo e, se me permitem, um agradecimento especial à Junta de Freguesia de Campolide na pessoa do Vogal do Desporto: Horta Pinheiro!

BEM-HAJA A TODOS!


Orlando Duarte