Gosto do Porto. Sinto-me lá bem, tratam-me bem, como bem, e se já agora, houver uma maratona para sobremesa que mais posso pedir?
Cada ano que passa, trago mais acompanhantes, e este ano só não trouxe mais por impedimentos vários que não tornaram isso possível. Mas como o Porto e a organização da maratona, nos fazem sempre voltar, para o ano que vem espero vir com uma comitiva maior. Gosto também de ser um pouco embaixador do meu País, e por razões várias adquiri um compromisso pessoal com esta prova, e outra mais a sul, com muita areia...
Dos Espanhóis que me acompanharam (só por um triz não trouxe um Sueco), posso dizer desde já que, um me tem acompanhado desde a segunda edição (só não fizemos a primeira) e tem um carinho especial por esta prova, já que foi aqui que se estreou. Um segundo, vai de estreia em estreia comigo: estreou-se em ultra maratonas em Tróia, e estreou-se aqui na maratona “standard”. Estes dois portaram-se também muito bem a nível de desempenho.Os outros apesar da má prestação a nível pessoal (eu incluído) sairam encantados e no carro a caminho de regresso, já me estavam a dizer que para o ano havia que rectificar o mau tempo feito este ano...
(Acho que a culpa do nosso desempenho, foi o facto de termos viajado num comboio onde estava tudo louco, com muita agitação, cerveja, Finlandeses, Mari Papoula, Santo Graal...)
Este ano a viagem correu como sempre, até melhor, porque tirando o facto de ter que parar quatro vezes durante a mesma, devido a excesso de água no organismo, não tivemos nenhum encontro com as “guardas”, nem civil nem republicana. A coisa este ano saiu mais barata...
Ainda assim chegamos ao Porto à hora prevista, 12:00 hora local, e de imediato fomos ao Hotel este ano ao lado da rotunda da Boavista. De imediato também saimos para dar 5 voltas à rotunda, para que o sangue voltasse a fluir pelas pernas com normalidade.
Com o duche tomado e para a ribeira, que tem sido sempre o nosso ponto de referencia para almoçar no Sábado. Aí encontramos o Fernando Andrade e o seu (nosso) amigo Carlos Neto, com os quais almoçamos o também já tradicional polvo à lagareiro. Já eramos 9...
À tarde fomos à feira levantar os dorsais, e sem muitas confusões fizemos todas essas coisas que vocês já conhecem, conversando à esquerda e à direita. Tive oportunidade de encontrar o Jorge Teixeira, que estava feliz por voltar a pôr de pé esta excelente prova. Mais uma vez há que dar-lhe os parabéns.
Seguiu-se um passeio turístico pela Rua de Santa Catarina, (havia que ir ao Majestic, onde só entramos, pois não havia mesa para 2 quanto mais para 9...), e regressamos para comer a “pasta”. Cedo como convém, e porque havia a final do campeonato do Mundo de Rugby. Não foi em vão que passei quase 4 anos na África do Sul, e se sempre gostei deste desporto, mais passei a gostar depois de lá ter estado e ver o entusiasmo com que se vive o mesmo. Encontro disputadíssimo, que nos faz pensar que estes jogadores são feitos de aço e os de futebol de gelatina... pois ao menor sopro de ar, já necessitam de assistência médica ! No fundo era só comparar com o outro jogo que se seguiu.
Depois desta noite desportiva (por um minuto perdi ainda a oportunidade de telefonar ao Fernando Andrade a “partir-lhe” a cabeça...o Benfica empatou !!!), toca a dormir.
Dia “D”
Despertar e pequeno almoço, na companhia da futura vencedora feminina. Isso sim não nos contagiou nada...
Fomos a andar até à partida e mais trocas de cumprimentos, aquecimento, e lá fomos...
A minha maratona:
Globalmente bem até à meia maratona onde fui sempre na companhia do Ricardo (companheiro Espanhol), Carlos Neto e Fernando Santos (Afis). Fomos sempre juntos até aí.

Aqui com o Ricardo (347) e o Carlos Neto (351)
Não me passei dos carretos pois tinha feito 2 semanas antes uma meia em 1:33 e aqui passei em 1:40, fui assim conservador. Mas quando passei a meia o meu corpo “disse-me” que isto não era para continuar e assim deixei-os ir. Continuei bem, no meu ritmo até à ponte D.Luis (Km25),
mas aquela pequena subidita para a ponte fez-me ver que ia passar mal...ainda assim fui sempre a correr e dentro do tempo para 3:30 até ao Km 30.

Depois do Km 25, à saída da ponte D.Luis
Aqui acabou-se a gasolina, e parei no abastecimento, para comer e beber ! Andava um bocado, corria (devagar) outro, voltava a andar...isto assim até ao Km31/32. Aí tive ajuda de uma companheira jovem que me “convenceu” a acompanhar-la. E a verdade é que se no início inclusivamente lhe disse para que seguira, acabei por acompanhar-la. E não é menos verdade que começamos a falar disto e daquilo, alucinado com todos os desportos que ela fazia, que os Km’s foram passando. E já estava no 36 e pico... e aí tive que voltar a parar. De qualquer maneira, obrigado Ester !!!
Depois só pensava: “Isto nunca mais acaba, só quero chegar ao final...”. Original, não?
Bem como tudo tem um fim, lá me arrastrei até ao Castelo do Queijo, e aí voltei a recuperar algo de motivação e força. A visão do Km 40 foi boa, mas não impediu o Luis Miguel de me passar nessa altura...
Nos últimos 500m apertei até um pouco para terminar esta 4ª edição da maratona, a minha 3ª.

A 70 m da meta Finalmente...
Na meta lá nos juntamos outra vez, todos satisfeitos por termos completado mais uma... é curioso que mesmo quando não atingimos os nossos objectivos a nível pessoal, não deixamos de ficar satisfeitos...
Um último comentário à prova, bem sei que a intenção é ajudar a crescer a maratona, mas continuo convencido que a maratona tem que ser única, sem outras provas que lhe roubem o protagonismo. Deve ser esse também o desejo da organização, e espero que numa próxima edição (ões) possa ir ao Porto participar na maratona, sem condicionalismos de nenhum tipo. Porque pessoalmente prefiro começar mais cedo e passar menos calor que ter a companhia da mini, mas sou consciente que até que a maratona cresça em número de atletas participantes, ela é necessária.
Devo dizer também, que eu não tive problema nenhum com os abastecimentos, nem com qualquer aspecto negativo da organização, antes pelo contrário, parabéns pelo trabalho desenvolvido uma vez mais. Mas eu não gosto de Powerade...
Oh Jorge isso sim, a coisa bem negociada com a Unicer, seria pedir muito, uma “fonte” de cerveja à pressão na meta ? Pelo menos só para os da maratona...Troco pela massagem.
Para terminar, no final, entrou-me cá uma fome... mas isso já é outra história.
O regresso a Madrid foi feito sem sobresssaltos.
Jorge, reserva-me lá um dorsal para a S. Silvestre...
Fotos: AMMA Atletismo Magazine Modalidades amadoras