Mais uma vez tive o privilégio de participar na
Maratona de Lisboa, em que, para o que se dizia da falta de apoios, não se notou
a perda de qualidade em aspectos essenciais.
Em termos climatéricos, o dia esteve excelente : sol fraco, temperatura amena,
sem chuva nem vento.
Cheguei cedo a Lisboa. Vou até à Praça do Comércio para me encontrar com o
pessoal da equipa e outros amigos, receber o dorsal e o chip que ainda não tinha
em meu poder. Nisto, estavam a ser 9 horas.
Saio com um certo cuidado na companhia do meu amigo Carlos Neto mas, apesar do
cuidado, notámos que estávamos a andar a um ritmo muito mais rápido quer os
5’/km, pois a ideia era passar à Meia com 1,45 e terminar com 3,30.
Aos 10 Km, em vez dos 50’ levávamos 46’! Mas, o que nos confundia era o facto de
nos sentirmos bem e com margem. Chegámo-nos a uma dupla (atleta invisual e o seu
guia) e vimos que aquela era uma passada muito bem controlada e optámos por ir
ali.
Aos 15 km levávamos 1,09, mas começo a sentir uma leve pressão na planta do pé
esquerdo e pensei logo : - acho que estou a arranjar uma bolha no pé. No Martim
Moniz, aos 16km, resolvi parar e ajeitar a peúga, para ver se acondicionava
melhor o pé. Pçouco melhorou, mas deu para prosseguir, se bem que com um
andamento mais moderado. Meia Maratona : 1,39! Lembrei-me que ainida há 3
semanas, na Nazaré, tinhas feito 1,43 e acabei prontinho! Não fora a bolha e
continuava a sentir-me com força.
Aos 30Km, no abastecimento, páro,tiro o sapato e a peúga, lavo, volto a calçar e
esboço uns passos de corrida. Terrível. Não dava. Tento ir descalço, mas ainda
era pior, pelo que os 12 km que tinha pela frente iriam ser duros.
Aos 32, depois da passagem pela meta, vou ao carro, troco a peúga e o sapato e
ponho na bolha, que tinha rebentado, uma coisa que eu pensava que era vaselina.
Depois, pelo cheiro é que vi que afinal era um creme de massagem do Carlos Neto,
que ardia, como o caraças. Com um sapato de cada casta, lá continuei a prova
tentando, ao máximo, disfarçar a dor. Claro que, com tudo isto, o tempo
fantástico que tinha feito na 1ª parte, já tinha sido todo deitado fora.
Porém, consegui manter uma passada mais lenta, mas regular, que me permitiu
chegar à meta com 3,30,25, ou seja, apenas mais 25 segundos do que o objectivo
que trazia e que, com toda a certeza, ficaria abaixo das 3,25, não fosse o
infortúnio.
Mas fiquei satisfeito.
Da apreciação que faço desta prova, gostaria de realçar que a Pasta Party estava
excelente quando comparada com 2006!
Terem utilizado copos com isostar nos abastecimentos, o que permite racionalizar
melhor o produto e, na verdade, ninguém necessita de maior quantidade do que
aquela que foi posta nos copos. É que é uma “dor de alma” o desperdício que se
tem visto por aí. Quando se referem aos aspectos higiénicos parece-me que não
são relevantes.
A única coisa que não gostei foi o excesso de zelo com que o abastecimento dos
35 km funcionou, proibindo que, após o retorno, aos 39Km, os atletas pudessem
ter uma garrafinha de água, porque a teriam aos 40Km! Tratando-se de um período
crítico para os atletas, seria um bom serviço que lhes se lhes prestava. Mas se,
de todo, isso criasse confusão, seria melhor, fazer o abastecimento aos 34,5Km e
aos 39,5Km, pois num único ponto refrescava-se os que iam e os que vinham.
A animação, já se sabe, não havendo dinheiro, “não há palhaços”. Mesmo assim,
viram-se alguns na 24 de Julho, que iam largando umas bocas (umas mais
engraçadas que outras) que sempre divertiam os atletas.
Para já, é o que me ocorre dizer sobre a 22ª Maratona de Lisboa, mas não quero
terminar sem dar os Parabéns à Organização por mais um excelente trabalho.
Fernando Andrade