XII Grande Prémio Internacional de Atletismo “11 de Outubro”
A NOITE DE VITOR OLIVEIRA E MARINA BASTOS
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Foi num ambiente de inusitada alegria e animação que decorreu a 12.ª edição do Grande Prémio Internacional de Atletismo “11 de Outubro”, em S. João da Madeira. Uma cidade em festa, a comemorar o 81.º aniversário do município, uma noite amena, quase de autêntico Verão e a capitalização do entusiasmo que reina no pelotão das corridas, num mês particularmente recheado de muitas e boas provas, trouxeram a S. João da Madeira mais de mil atletas, 794 dos quais lograram terminar as provas de carácter competitivo, enquanto cerca de três centenas de pedestrianistas encerraram o programa com uma caminhada de 4 quilómetros.
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Os escalões de formação abriram as hostilidades. Entre benjamins, infantis, iniciados e juvenis, foram 427 as jovens esperanças que evoluíram ao longo duma Avenida da Liberdade repleta duma assistência entusiástica, que não regateou esforços e aplausos a todos os pequenos atletas. Para a história, aqui ficam os nomes dos vencedores nos respectivos escalões: Benjamins (139 atletas): Igor Valente (ACRD Escapães) e Isa Silva (Villa Cesari – Opinlux). Infantis (103 atletas): Paulo Ferreira (CA Ovar) e Susana Fonseca (SSPM SJ Madeira). Iniciados (114 atletas): Pedro Cabral (CP Mangualde) e Cristina Moreira (FC Penafiel). Juvenis (71 atletas): José Costa (CCR Maceda) e Bebiana Soares (CDC Codessos).
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Juniores, seniores e veteranos, masculinos e femininos, fecharam o programa competitivo. Ainda a recuperar duma gripe que a afectou durante a semana, Marina Bastos (SC Braga) não permitiu veleidades à sua mais directa adversária, Helena Sampaio (Maratona CP), garantindo a vitória no sector feminino, com uma margem confortável. “A Marina parecia ter atravessado o deserto e agora está a renascer”, foram as primeiras palavras da atleta que reconheceu ser importante esta vitória para “aumentar os meus níveis de confiança e dar-me mais força e motivação para os embates que se irão seguir.”
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Na prova principal masculina assistiu-se a uma corrida empolgante, prendendo a assistência até ao derradeiro metro face à incerteza quanto ao vencedor. Regressado ao convívio das corridas, após uma longa ausência de cinco anos por lesão, Joaquim Cardoso assumiu o risco de vir para a frente logo de início, marcando um ritmo alucinante. Com o pelotão partido e o grupo da frente reduzido a sete unidades, lutou-se rijo pela supremacia, com Vítor Oliveira (NA Joane) e os “ciclones” José Moreira e Leonel Fernandes a assumirem, também eles, as despesas da prova. Acabariam por ser precisamente estes três atletas a abordarem os últimos metros em condições de discutirem entre si o primeiro lugar. Mas aí, a força e a experiência de Vítor Oliveira constituíram mais-valias incontornáveis, permitindo-lhe alcançar uma vitória mais do que saborosa. |
| “Nunca pensei que isto fosse tão rápido. Não me lembro duma prova em que tenha corrida tão rápido como desta vez”, declarou Vítor Oliveira, ainda visivelmente abalado com o enorme esforço a que fora submetido. Mas sempre foi acrescentando: “Tenho andado a treinar bem. Sinto-me muito bem fisicamente mas tive que me esforçar ao máximo face a dois adversários de grande valor, que me ‘pisaram os calcanhares’ mesmo até ao final”. Quanto à nova época, que agora se abre, “penso que estou muito melhor do que no ano passado. Estou a treinar a cem por cento e espero, com a ajuda do meu treinador e dos meus colegas, fazer uma grande época.” |
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Com as cerimónias dos pódios a desenrolarem-se normalmente e a caminhada já na estrada, o Grande Prémio aproxima-se do fim. Lugar ainda para uma significativa homenagem a quatro atletas que, pelos seus méritos, foram muito justamente louvados publicamente pela Organização. Foram eles Natália Pinho, Campeã Europeia de Veteranos de 10.000 metros em 2006, Maria Alice Fernandes, Campeã Mundial de Veteranos de Marcha Atlética em 2007 e ainda os “veteraníssimos” Manuel Neves e José Silva, ambos atletas do clube local “Os Kágados”, pela sua entrega e dedicação à modalidade. |
| João Ruela, Presidente da Associação de Atletismo de Aveiro, fez questão de manifestar a sua surpresa face à “qualidade dos valores em presença e ao facto de haver muitos atletas que demonstram já um excelente estado de forma.” Lembrando que S. João da Madeira “já foi uma espécie de capital do atletismo no distrito, com toda a gente a vir aqui competir à Pista. De repente, como que tudo se eclipsou e desapareceu. De há uns anos para cá tem-se assistido ao relançar do atletismo em S. João da Madeira, sobretudo graças ao trabalho que tem sido desenvolvido por esta equipa dos Serviços Sociais e à dedicação do Alberto Batista. Isto que está aqui é realmente uma festa, é um êxito e é muito bom para S. João da Madeira.” E termina com um recado à organização: “Este Grande Prémio, com uns pequenos investimentos, acertando ligeiros pormenores logísticos, melhorando as chegadas e, possivelmente, adequando a partida - porque tem uma grande descida e pode potenciar algum acidente -, tem todas as condições para se tornar numa prova de âmbito nacional com muita qualidade. A continuar assim, estou convencido que isto, no próximo ano, vai ser uma coisa verdadeiramente espectacular. |
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Uma nota final para a organização, a cargo dos Serviços Sociais do Pessoal do Município de S. João da Madeira. Não estando isenta de falhas, ainda assim deve considerar-se muito positiva a sua actuação. Lidar com números desta grandeza não se compadece com apenas boas-vontades. Os cerca de sessenta elementos liderados pelo incansável Alberto Batista tudo fizeram para minimizar os vários problemas surgidos, na sua esmagadora maioria ultrapassados a contento de todos. Três situações do foro clínico a necessitar de evacuação para o Hospital local atrasaram em cerca de trinta minutos o horário da prova principal. Depois, à hora estipulada, o sistema de rega dos jardins “disparou”, provocando a debandada geral entre a assistência, subitamente surpreendida por “aquela chuva que vinha de baixo”. Também o escalonamento dos atletas não foi pacífico devido, ao que tudo indica, à “gatafunhada” de quem teve por incumbência registar os números identificativos dos dorsais, tornando espinhosa a missão dos “decifradores de serviço.” Mas são imponderáveis cuja responsabilidade não pode ser imputada à organização. |
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No final, Alberto Batista era um homem feliz: “Hoje tivemos qualidade e quantidade. Isto é um banho de multidão. É uma aposta minha e dos meus colegas, uma aposta ganha. E queremos, no futuro, continuar a apostar na quantidade mas, sobretudo, na qualidade. Porque S. João da Madeira merece.” Depois do aparente divórcio do público sanjoanense com a sua prova, até isso pareceu inverter-se este ano, o que suscitou em Alberto Batista a seguinte reacção: “Este ano fizemos uma aposta maior na divulgação da prova e a própria rádio local ajudou-nos imenso nesse esforço. Pedimos ao povo sanjoanense que apoiasse esta sua prova e estes atletas. E eles aqui estão! Daí, o meu muito obrigado também a eles.”
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CLASSIFICAÇÕES |
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MASCULINOS
1º Vítor Oliveira (NA Joane) 2º José Moreira (Cyclones – Sanitop) 3º Leonel Fernandes (Cyclones – Sanitop) 4º Artur Rodrigues (NA Cucujães) 5ºBruno Albuquerque (CP Mangualde) 6º Hélder Santos (ACR Vale Cambra) 7º Joaquim Cardoso (Individual) 8º António Silva (CP Mangualde) 9º António Fernandes (ACR Vale Cambra) 10º Manuel Ferreira (JU Fornos) |
FEMININOS
1º Marina Bastos (SC Braga) 2º Helena Sampaio (Maratona CP) 3º Andreia Jesus (ACR Senhora Desterro) 4º Filipa Almeida (Individual) 5º Ana Fonseca (CR Estarreja) 6º Joana Nunes (JOBRA) 7º Ana Quintas (FC Penafiel) 8º Ana Nunes (GJ Pinheiro Bemposta) 9º Silvana Pimenta (FC Penafiel) 10º Cátia Teixeira (CP Mangualde) |
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JOAQUIM MARGARIDO