RECADOS DO CÉU

Aterragem depois do 1º grande Raide
Nasci, numa aldeia a 60 km de Castelo Branco. Aos 20 fui estudar para Lamego. Sou Educadora de Infância e actualmente vivo e trabalho em Lisboa.
Gosto de futebol. Adoro ler, Vergílio Ferreira e José Saramago são dois companheiros de longas horas. Também gosto de escrever, de estar sentada numa praia vazia a ouvir o mar. Gosto de estar sossegada, em silêncio, mas também gosto da agitação, de sentir a adrenalina. Talvez por isso possa dizer que o yoga, o paramotor e a presença dos amigos e da família são os pilares do meu bem-estar até mesmo, da minha felicidade.
O
paramotor surgiu por influência do meu irmão que tinha iniciado o curso há pouco
tempo e então fui experimentar porque achei que era espectacular. É um desporto
seguro que permite uma aprendizagem constante, porque é necessário estudar bem
os locais onde se pretende voar, identificar e analisar as condições
climatéricas a todo o instante, assim como saber os fundamentos aerodinâmicos
responsáveis pelo comportamento da asa e do motor. Pareceu-me um desafio muito
interessante e neste momento considero que foi uma excelente opção e que as
expectativas iniciais foram absolutamente superadas, tanto pelo paramotor em si,
como pelo incentivo e carinho que a equipa da Escola de Voo demonstrou desde o
primeiro momento. São excepcionais.
Fui para o Alentejo, para a Escola de Voo. Ia muito motivada e com muita vontade
de voar. Fomos passar as férias de Verão a Sines e fiquei admirada ao ver como o
paramotor se insere perfeitamente na nossa rotina, mesmo em férias. Ao início da
manhã, bastante cedo e ao final da tarde ia para o curso e no restante tempo
fazia praia e passeava. Foi muito bom. Depois nos meses seguintes a motivação
era tão grande, que as horas de viagem e a distância eram aspectos absolutamente
secundários. Estou muito satisfeita pela opção que fiz e recomendo o Alentejo
para quem quiser fazer o curso de paramotor ou de parapente. A paisagem é
fantástica e o acolhimento das pessoas convida a regressar sempre. Claro que o
aspecto mais importante é a escola que proporciona o curso, a qualidade e o
nível de ensino. E relativamente a isso, essa foi a melhor opção de todas.
Apesar da minha vontade de voar, o Instrutor, José Boieiro, foi o principal
responsável pelo meu progresso, tanto pelo que me ensinou, como pelo que me
deixarou descobrir sozinha. Considero-o o meu mestre. Por tudo isto, fazer o
curso de paramotor no Alentejo? Absolutamente.
Voar possibilita ao homem transcender-se e ao mesmo tempo encontrar- se,
consigo. Com a sua existência. Porque o piloto está sozinho e a eficácia e a
beleza do voo dependem de si. Por outro lado, desfruta-se de um prazer
imensurável. E também a partilha desse prazer quando se voa ao lado de outros
pilotos. É fantástico.
Por isso, quando voo, sinto a vida… A vida envolta numa liberdade e num prazer
imensos.
A minha mãe sempre disse que eu optava mais por actividades que eram praticadas
sobretudo por rapazes, portanto quando decidi iniciar o curso, todos reagiram
com muita naturalidade. Já tinham boas referências da Escola de Voo e houve
sempre um contacto muito próximo com os instrutores e a possibilidade de me
observarem e acompanharem ao longo da minha formação, o que permitiu, ter total
confiança sobretudo no que diz respeito às condições de segurança.
Agora que começei o curso avançado de piloto...e vou voar..mais longe, mais
alto..e em térmica, quais as minhas expectativas ?
Quero aprender mais. Ter outras experiências. Conhecer o comportamento da asa em
situações mais complexas e saber reagir pronta e correctamente. Esses
conhecimentos vão permitir-me também acompanhar pilotos mais experientes e
participar com mais confiança nos eventos em que eles participam. Estou muito
motivada e muito confiante para esta nova etapa.
Vou olhar para horizontes cada vez mais longínquos e tentar chegar lá. Voar em
vários locais. Fora de Portugal também seria óptimo. Gostava de ter alguma
estabilidade profissional que me permitisse dedicar mais tempo ao paramotor para
poder melhorar mais. Espero um dia chegar à competição. Voar ao lado das actuais
campeãs é a minha utopia do voo.
Gostava de ensinar outras pessoas a voar….proporcionar a outros a realização do
sonho que também tenho !
E ajudar a esclarecer algumas dúvidas. Por vezes as pessoas não vêm voar porque desconhecem a estruturação do curso e acham que é muito complicado ou apenas para homens. No entanto, após vir assistir a uma aula e conversar com alunos e alunas, apercebem-se rapidamente que é mais simples e não só para os Homens. Neste momento há muitas mulheres a praticar paramotor por todo o mundo e a tendência é para que haja um crescimento exponencial uma vez que o voo com trike está a ser muito bem recebido pelas mulheres que assim podem voar sem ter de fazer um grande esforço físico.
E também é extraordinário ver a evolução de alguém que está a aprender a voar. Partilhar aquilo que sei e conseguir ajudar outras pessoas a “ter asas” seria muito bom. Agora quero aprender mais e terminar o curso de piloto avançado. Se mais tarde surgir essa oportunidade com certeza vou aceitar o desafio de ensinar a voar .
Cristina
Mateus