A viagem da ida foi agradável e com excelente aterragem. A recepção, não sendo calorosa foi agradável embora um pouco atribulada na distribuição dos participantes pelos vários meios de transporte, o que lá está, não abundam. O almoço, algo tarde para os continentais face à diferença horária, foi muito bom com um bufet à discrição, farto de quantidade e de qualidade (foi assim em todas as refeições).

 

O jantar festivo de recepção dos participantes, realizou-se no Salão da filarmónica Lira Madalense – Sete Cidades, onde fomos brindados com um lauto jantar seguido dum pequeno (face à alta qualidade) programa folclórico interpretado pelo Rancho Folclórico e Etnográfico da Casa do Povo de São Mateus da Ilha Morena que nos ofereceu uma soberba actuação e uma, não menos, fiel etnografia com os seus trajes e indumentárias tradicionais desde o baleeiro, o trabalhador rural, o homem e a mulher rica, o fato de casamento e o célebre capote ilhéu que as mulheres mais “virtuosas” usavam para se protegerem dos olhares indiscretos e também um vasto equipamento artesanal de artefactos picarotos.

 

A jornada de Domingo foi cheia que nem um ovo. Desde o desfile da Fanfarra dos Bombeiros da Madalena, das três Bandas Filarmónicas e todos os participantes da XVII Corrida dos Reis, encabeçados por quatro anjinhos que transportavam o ano de 2007, logo seguidos dos três Reis Magos montados a cavalo. Desfile muito bonito (tive imenso prazer em integrá-lo), mas algo moroso arrastando o programa para horas menos próprias para correr.

A abertura das actividades desportivas, este ano, teve a novidade da caminhada, integrada no programa Açores Activos, mexe-te…pela tua saúde, e que teve como convidada de Honra Rosa Mota.

 

Houve um franco aumento de participantes (59 +15.32%), curiosamente nos jovens e nos veteranos.

 

O jantar festivo decorreu no salão da Casa do Povo de São Mateus (freguesia com 800 habitantes), e ainda no âmbito do Natal e imbuídos dum forte sentimento do Espírito Santo. O repasto (Sopas do Espírito Santo) foi precedido dum belo momento de teatro interpretado pelo grupo local de seu nome Gota de Mel. O pequeno acto foi baseado no livro Esteiros de Soeiro Pereira Gomes e que nos deixou uma mensagem de preocupação pelas crianças que nunca foram meninos…

As Sopas do espírito Santo são muito semelhantes ao cozido à portuguesa com a diferença de haver em paralelo um caldo com pão sovado embebido. A organização teve a ombridade e a franqueza de nos informar que as carnes e o vinho foram ofertas de agricultores e vitivinicultores da região porque no âmbito do Espírito Santo é normal tais oferendas.

 

Por fim houve outro momento alto de cultura, com a participação dum Rancho de Natal da Casa do Povo da candelária que nos ofereceu vários temas de Natal regionais acompanhados por instrumentos de corda já pouco ouvidos tais como: bandolins, braguesas e guitarras da região. Um grupo de atletas e acompanhantes do AFIS de Ovar decidiu retribuir a simpatia da organização e compôs uma letra adaptada a uma música açoriana. Brilhantemente ensaiados e muito bem acompanhados pelos exímios executantes do Rancho de Natal da Candelária levaram ao rubro o salão que correspondeu com uma farta salva de palmas e hilariantes gargalhadas.

 

Na volta à ilha, para além das belas paisagens que pudemos contemplar, pudemos visitar e provar vários artigos regionais quer de origem láctea – com os queijos da ilha e outros, quer de origem vinícola – com os célebres e saborosos licores de amora, angelica, e os vinhos lagido , de cheiro e verdelho, quer artesanal no âmbito dos tricôs e afins, quer a paisagem da cultura da vinha -. Património da Humanidade, com as suas leiras divididas com as pedras das lavas de vulcão.

 

Chegados à Vila Lajes do Pico, mais uma vez, fomos recebidos com carinho e atenção e contemplados com mais um lauto repasto, quer em quantidade e diversidade, quer em qualidade. Pela tarde, subimos à serra e aí, o nevoeiro ditou as suas leis e, claro, as paisagens foram reduzidas. Ao final da tarde, chegados a São Roque do Pico visitámos o Museu da Baleia e um pouco da vila, a sua bonita igreja com a sua brilhante arte sacra, comum a todas igrejas deste arquipélago e o seu Porto Marítimo.

 

Ao jantar, outra abundante refeição com imensas iguarias e pratos regionais com as suas célebres carnes de vaca, as batatas-doces, os inhames, a feijoada assada no forno de lenha, os vários pães de trigo e milho e os vinhos caseiros de bons aromas e sabores. Tudo foi confeccionado pelos pais de 10 alunos finalistas do 12º ano. Os alunos e outros amigos fizeram o apoio às mesas com a distribuição de bebidas e a recolha de louça. Tudo em troca de apoio da autarquia a fim de viajarem para o continente na sua viagem de finalistas. Bonito gesto este, dos pais e dos alunos.

 

Antes e durante o jantar uma jovem artista local, também ela aluna, ofereceu-nos lindos temas de música calma e relaxante que nos criou um bom ambiente o que enriqueceu mais a gastronomia local. No encerramento deste jantar festivo e após a entrega de prémios, fomos brindados com uma excelente actuação duma banda sinfónica – Liberdade Cais do Pico – com uma vintena de jovens, onde se destacaram três raparigas vocalistas com vozes excepcionais que conseguiram levar ao rubro os jovens e menos jovens daquele repleto salão de convívio local. Houve momentos, até arrepiantes, de calor humano, de sã camaradagem e de solidariedade. Foram três dias inolvidáveis que, confesso, não esperava ter. Espero e desejo lá voltar e, desde já, exorto outros a fazê-lo!

 

Bem-haja ao povo Picaroto! Obrigado pela vossa simples e humilde maneira de viver, mas grande, enorme e excelente maneira de receber!

 

Mais uma vez, muito OBRIGADO!

 

ORLANDO DUARTE