Associação de Atletismo de Aveiro premeia atletas vareiros
ALTA COTAÇÃO
Desdobrando-se em múltiplas frentes, o atletismo vareiro acaba de evidenciar, uma vez mais, o seu enorme potencial e valor. Depois de, no ano passado, as vertentes organizativa e jornalística terem arrecadado os galardões máximos da Associação de Atletismo de Aveiro, foi agora a vez de atletas e treinadores verem o seu trabalho reconhecido e, muito justamente, recompensado.
A Gala da Associação de Atletismo de Aveiro referente à época de 2005/2006, que teve lugar no passado dia 1 de Junho, no Auditório do Centro de Congressos e de Exposições de Aveiro, distinguiu todos quantos, ao longo da época, trabalharam em prol do engrandecimento da modalidade e, de alguma forma, contribuiram para a elevação do nome da Associação aos mais distintos patamares do atletismo nacional.
Luís Silva (GRECAS) e Nuno Valente (Clube Campismo S. João da Madeira) arrecadaram os mais altos galardões na categoria de “Atleta do Ano”, respectivamente nos escalões sénior e júnior. Também Manuel Ferreira (JU Fornos) e Lisandra Lopes (GRECAS) foram igualmente distinguidos pelas vitórias, respectivamente, no Circuito Distrital de Meio-Fundo e Fundo e na Taça Octaviano Teixeira.
Na categoria de “Campeões Nacionais”, destaque para os já referidos Luís Silva (Provas Combinadas) e Nuno Valente (20 km Marcha), Lisandra Lopes (Estafeta 4x400 metros) e Leonel Fernandes (3000 metros obstáculos), agora ao serviço do Cyclones-Sanitop (Viana do Castelo). Distinguidos, igualmente, na categoria de “Treinadores Campeões Nacionais”, o Professor António Beça, José Eduardo Pinho e Manuel Moreira. Finalmente, Júlio Costa (Serviços Sociais e Culturais dos Trabalhadores do Município de Ovar) foi agraciado com a Medalha de Mérito da Associação de Atletismo de Aveiro, altíssimo galardão que distingue toda uma carreira em prol do atletismo aveirense.
Parar para reflectir
Vale a pena parar para reflectir. As figuras referidas, com uma ou outra excepção, sendo de Ovar, aqui vivendo e treinando, representam todas elas clubes exteriores ao próprio concelho. Não podemos continuar alheados desta realidade inquestionável. A forma séria e dedicada como o atletismo é encarado em Ovar, a sua promoção e divulgação nas mais variadas vertentes e o seu reconhecimento pelas instâncias que superintendem a modalidade, não encontra correspondência a nível local, obrigando os nossos valores mais cotados a rumarem a outras paragens como forma de se promoverem e evoluírem.
O atletismo vareiro merece uma atenção, um apoio e um estímulo que tardam em surgir. Devotadamente, são muitos aqueles que prosseguem esta luta feita de tenacidade e sacrifício, num labor incomensurável face à escassez de condições. Aqueles que trabalham com os alunos das escolas, da Júlio Dinis à Monsenhor Miguel Oliveira, com a formação levada a cabo pelos AFIS ou pelo CCR Maceda, com as organizações de provas como a Milha Urbana ou as Meias-Maratonas Cidade de Ovar ou de Cortegaça, com a promoção das caminhadas pela Secção de Pedestrianismo dos AFIS ou da ACR Ponte Nova, passando pelo trabalho altamente específico em disciplinas técnicas, como o salto em altura, a marcha, as provas combinadas ou a corrida de obstáculos, e que nos garantem anualmente um belo punhado de campeões nacionais, todos aguardam, ansiosamente, o dia em que Ovar e os seus responsáveis olhem para esta realidade com olhos de ver. É chegada a hora de fazer algo que inverta este estado de coisas, premiando na justa medida tanta valor e dedicação. Ovar não é, definitivamente, o deserto, pelo que não faz sentido que as infra-estruturas tão ansiadas se constituam eternas miragens.
JOAQUIM MARGARIDO