No melhor dos mundos

 

Se vivêssemos no melhor dos mundos, as nossas crianças teriam o pleno direito de desenvolver todo o seu potencial, conforme consignado na Convenção sobre os Direitos da Criança, adoptada pelas Nações Unidas em 20 de Novembro de 1989 e ratificada pelo nosso País em 20 de Setembro do ano seguinte.

 

Se vivêssemos no melhor dos mundos, as nossas Escolas teriam as condições materiais e humanas necessárias ao desenvolvimento desse potencial sem limitações de espécie alguma. Ao nível do Desporto Escolar os atletas ainda em embrião seriam devidamente acompanhados por professores com a necessária competência técnico-pedagógica que permitisse potenciar todas as suas capacidades.

 

Se vivêssemos no melhor dos mundos, a articulação com o Desporto Federado estaria de tal maneira estruturada que a transição dar-se-ía sem sobressaltos e sem constrangimentos de qualquer espécie, sendo possível ainda ao atleta manter vínculos fortes à Escola. O crescimento harmonioso levaria à formação de mais e melhores atletas e o nosso País seria um expoente de grandeza maior entre as potências do mundo inteiro.

 

Isto, se vivêssemos no melhor dos mundos…

 

No meio de carências de toda a ordem, o Desporto Escolar lá vai fazendo o que parece estar ao seu alcance, gerindo o maior parque desportivo nacional como pode. E aqui, o mérito vai por inteiro para os professores, conscientes de que vale a pena lutar, numa busca constante de valores, tendo o saber e a partilha como ideais de referência. Por outro lado, os Clubes vão igualmente fazendo o que podem, sentindo enorme tristeza e frustração em acolher os jovens atletas em instalações precárias ou mesmo inexistentes, lidando com entraves de toda a ordem e com inúmeras falhas de planificação ao nível da competição propriamente dita. Daí ao desânimo e ao abandono vai um pequeno passo, sendo esta realidade mais marcante no que ao sexo feminino diz respeito.

 

Porém, face aos factores adversos mencionados, Clubes há que vão mostrando arte e engenho para tornear as situações, mostrando-se úteis “aqui” quando não o podem ser “ali”. Clubes que, não tendo condições para dar continuidade à formação dos jovens que despontam no Desporto Escolar, abrem à Escola as suas estruturas organizativas, colaborando nessa mesma formação, embora em patamares diferentes. Clubes que disponibilizam os meios necessários para que os alunos do recém-formado Curso Tecnológico de Desporto possam ter a correspondência prática no que aos objectivos do Curso diz respeito.

 

Da interacção entre o dinamismo dos jovens alunos e a experiência organizativa dos Clubes, do intercâmbio de ideias e projectos, da partilha de interesses comuns, retira-se uma parcela importante de aprendizagem e crescimento. Desta abertura da Sociedade à Escola, nasce e cresce uma nova força apostada no pleno desenvolvimento dos futuros dinamizadores, organizadores e gestores de actividades físicas e desportivas. Uma força que vem complementar a sua formação global, numa consciente atitude cívica, incitando a um maior empenho na construção da cidadania que tanto urge e dá o sentido à vida.

 

Para que possamos, num futuro que se pretende próximo, viver no melhor dos mundos!

 

JOAQUIM MARGARIDO