Mais uma Meia Maratona de Lisboa se realizou. A
18ª! Embora subscreva muitos dos comentários negativos que já se fizeram, e sem
que ninguém me tenha “encomendado o sermão” julgo que todos devemos ter a noção
da diferença entre o controlar de uma prova e o controlar de uma multidão. Numa
prova, embora com níveis competitivos dos mais díspares, todos têm (ou deveriam
ter) uma noção do que é correr, do doseamento do esforço, do que significa
partir na frente ou mais atrás. Aqui, o que aconteceu para 80% dos participantes
foi simplesmente passar a ponte a caminhar. Saudavelmente, sublinhe-se,
iniciando-se assim, para muitos, a prática da corrida e o nascimento de mais
corredores! Porém, poucos teriam consciência das implicações de um
posicionamento, na partida, menos… reflectido, digamos assim.
Todos sabemos :
-o que nos custa ver gente da mini, muitos que nunca correram, posicionados lá
na frente, enquanto atletas com 1,15 são relegados lá para trás;
-o que nos custa ver alguns “alarves” que, à chegada, querem levar sacos para a
família toda (neste aspecto pareceu-me que se registaram excelentes progressos);
-o quanto nos cai mal o aproveitamento que algumas figuras (ou figurões) fazem
do evento; -o quanto injusto nos parece uma transmissão televisiva que apenas se
concentra nos primeiros e numa ou noutra”figura de circo” que apareça entre a
multidão, omitindo imagens que reflectissem com mais verdade, em amostragem,
claro, participantes em vários estratos do pelotão.
-o quanto custa pagar uma inscrição cara, que não nos garante um distinção clara
entre os que querem correr e os que simplesmente querem caminhar.
Mas também sabemos (ou se não sabemos é porque não pensámos nisso), que:
-A organização tem o direito de convidar pessoas que, de uma forma ou de outra,
estarão ligadas à sponsorização da prova;
-É difícil garantir a 100% que as instruções dadas no gabinete coordenador dos
vários sectores, sejam fielmente cumpridas;
-A transmissão televisiva está condicionada pela impossibilidade de um
helicóptero poder sobrevoar o percurso (que está abrangido pelo corredor aéreo)
tendo que se “contentar” com as imagens obtidas de mota. Mas também é verdade
que poderiam circular mais motas.
-Não podemos, ainda, pensar nesta prova com fins competitivos, mas apenas de
participação na grande festa da corrida em Portugal. E que bonita ela esteve
este ano, com uma animação, em pontos estratégicos do percurso, muito melhor que
nos anos anteriores !
Há coisas que podem ser melhoradas, merecendo mais atenção? Há sim senhor. Estou
a lembrar-me da zona VIP:
-Porque não criar uma zona VIP para a Meia e uma zona VIP para a Mini? Não seria
difícil e acabar-se-ia com uma das situações que mais incomodam os corredores
que são também atletas.
-Porque não fazer, na zona da Mini, a separação dos caminheiros?
Outro aspecto que não me merece aplausos é o da partida de Algés para as elites!
Percebe-se da importância de Lisboa ter o record do mundo, mas a verdade é que,
com a partida de Algés estamos perante uma outra prova.
Mas acho que tudo o que possa dizer-se de menos positivo é irrelevante face à
grandeza desta prova.
Diz-se que quanto maior é a nau, maior a tormenta! E esta “nau” é enorme! Tem,
por isso, que ter um comando competente e firme e tenho a certeza de que, em
tudo aquilo que não mereceu nota positiva, a organização irá pedir
responsabilidades e corrigir. Podem achar que sou ingénuo, mas acredito.