Gente que não está habituada estranha e quem não esteve lá , terá até alguma dificuldade em acreditar na forma como a Câmara Municipal de Sintra se empenhou em dar a todos os atletas participantes neste Grande Prémio “Fim da Europa” um autêntico tratamento VIP.

O “salto” dado no ano transacto (no relançamento da prova após um ano de suspensão), em termos de número de participantes talvez tenha apanhado a Câmara de surpresa e, por essa razão, não terá conseguido acautelar alguns aspectos que na altura foram focados. Desta vez a surpresa foi para os atletas! E que boa surpresa!

E se as condições climatéricas, em 2006 eram más, desta vez não eram melhores e isso foi o que de melhor podia ter acontecido para testar a capacidade organizativa da Câmara e do Sport União Colarense. Com os erros aprende-se muito e a Organização aprendeu. Poderão ter ocorrido outro tipo de falhas, mas as do ano passado desapareceram por completo. Refiro-me concretamente à falta de condições para que os atletas pudessem aguardar pelo transporte de regresso, obrigando-os a ficarem ao frio e à chuva após a prova, durante bastante tempo.

Para que não fosse alterada a distância tradicional desta Prova (17 Km), a Partida foi “recuada” para a Volta do Duche e assim, no final, já não seria necessário subir a rampa do Farol, estando a meta instalada no parque de estacionamento.

Não sei ao certo quantos eram, mas, quando soou o tiro da partida, todos se puseram a caminho do ponto mais ocidental da Europa, passando frente ao paço real e subindo a rampa da Pena. Aí, começámos a aperceber-nos de uma “chuva esquisita” que caía muito mais lentamente que o habitual. Pudera… era neve que caía em pequeninos flocos e isso veio dar um ar graça aos atletas, dada a raridade do fenómeno por estas bandas.

Chegados ao cimo, depois da difícil rampa dos 10 Km, começa a descida! A grande descida de 6,5km até ao Cabo da Roca.

À chegada, depois de tirarmos o chip, entrámos numa grande tenda onde nos deram logo a medalha e a T-shirt, de acordo com o tamanho solicitado. E nessa tenda, à nossa direita, estava montada uma grande mesa comprida, coberta por uma toalha branca onde estavam biscoitos, queijadas, frutas, sumos, chazinho quente e sei lá que outras iguarias por ali havia e onde solícitos empregados de mesa, vestidos a rigor, se preocupavam em repor aquilo que ia faltando.

E esta, hein ?!

No palco, montado dentro desta tenda, preparava-se a entrega dos prémios. Noutra tenda, obviamente muito mais pequena, estavam depositados os sacos dos atletas que tinham sido transportados desde a partida . Aí, sem apanhar frio ou chuva, podíamos vestir roupa seca antes do regresso .

Fiquei maravilhado, por ver que a “minha” Câmara, quando quer, consegue fazer destas coisas, que elevam esta Prova, na sua 18ª Edição, a um alto estatuto que desde o seu início merece. E eu sempre disse que esta Prova, apesar da sua dureza ( e paradoxalmente é a descida que é mais motivo de “reclamação”) é a mais emblemática que Sintra pode ter. E tenho a certeza que, no próximo ano, serão ultrapassados os mil atletas.

Um único receio me assola o pensamento: -“que a fasquia tenha sido colocada demasiado alta” e que as futuras edições não venham a sofrer com isso. E pergunto : -haverá o reconhecimento da importância desta Prova para o Concelho por parte da classe política que lidera a Câmara de Sintra? Foi feita a demonstração daquilo que se é capaz. Que os resultados obtidos - que se traduzem num estrondoso sucesso - sejam o mote para que, no futuro, a Câmara de Sintra veja no Atletismo uma modalidade que é querida no Concelho e que não tem necessidade nenhuma de ficar tão atrás de outras câmaras que apostam forte na sua promoção.

A todas as pessoas envolvidas nesta grande Organização quero endereçar as minhas felicitações sinceras e agradecer o excelente trabalho que foi oferecido às largas centenas de atletas participantes. Bem Hajam e … continuem !

28.Jan.2007
Fernando Andrade