O regresso do voluntário ao Triatlo – A experiência da Taça do Mundo de Lisboa 2007
DATA : 6 Maio de 2007
HORA DE CONCENTRAÇÃO : 08:30h
LOCAL : Pavilhão Atlântico (Parque das Nações – Lisboa)
DURAÇÃO DO VOLUNTARIADO : 8 horas
AJUDAS DE CUSTO / REGALIAS : 5€/dia + Saco Alimentação ( 1 Maçã, 1 Pêra, 2 Garrafas de Água, 2 Sandes, 1 Madalena ) + T-Shirt + 1 Mochila + 1 Avental + 1 Porta-Cds + 1 Pacote de Bolachas + 1 Chapéu
COORDENADOR PROJECTO : Fernando Carmo (Federação de Triatlo de Portugal)
Uma
das coisas mais importantes que qualquer jovem pode ter na sua vida são as
experiências vividas e partilhadas, que o levam a construir-se como ser íntegro
e mais preparado para a sua vida. O Voluntariado Jovem é uma das estruturas mais
activas do Instituto Português da Juventude e tem trazido a diversas
iniciativas, não só de cariz desportivo, a juventude e a dinâmica de todos
aqueles que dispensam o seu tempo para ajudar.
Eu fui um dos 150 voluntários que estiveram na 3ª jornada da Taça do Mundo de Triatlo, que se disputou no Parque das Nações no passado dia 6 de Maio. Foi a minha terceira iniciativa como voluntário na área do Triatlo, e, sem dúvida, esta minha terceira participação foi muito mais interessante que as duas anteriores – talvez também motivada pela grandiosidade do evento.
Após as duas primeiras experiências como voluntário no Triatlo, elaborei um texto, que foi publicado na “Atletismo Magazine Modalidades Amadoras”, ainda em edição de papel. Na altura, uma das pessoas responsáveis pelo Triatlo, realizado no Estoril, abordou-me, telefonicamente, no sentido de esclarecer algumas das falhas por mim apontadas, mostrando-se até ofendida e magoada pelas minhas palavras. Neste artigo, terei oportunidade de dar uma visão bem diferente da Taça do Mundo de Lisboa, onde, a meu ver, muito se melhorou relativamente aos voluntários.
A Taça do Mundo veio a Lisboa na sua terceira jornada e demonstrou ser um evento de boa visibilidade, quer a nível nacional, quer internacional, até pela projecção que a triatleta Vanessa Fernandes já vai tendo em Portugal. Uma das melhorias que eu verifiquei, e falarei no papel de voluntário, foi a reunião que juntou grande parte dos voluntários, no auditório do Instituto Português da Juventude, no dia 1 de Maio. Como é óbvio, tal verificou-se pela grandiosidade do evento e, sem dúvida, a atitude super-profissional demonstrada pelos responsáveis da Federação de Triatlo de Portugal foi um bom mote para todos os que estiveram presentes nessa reunião. Lá, explicaram-se vários pormenores importantes a aplicar nas várias tarefas, tarefas essas que decorreram de 2 a 6 de Maio, envolvendo vários voluntários. Eu, por indisponibilidade noutras datas, apenas estive presente dia 6 de Maio – dia da Taça do Mundo.
No dia 6 de Maio, compareci para a função que me fora determinada fazer. A minha tarefa estava destinada para a zona das transições, localizada dentro do Pavilhão Atlântico. Contudo, acabei por ficar à entrada da rampa de acesso ao dito pavilhão, com o objectivo de controlar a actividade do público e controlar a acessibilidade dos detentores de credenciais de acesso. Tudo isto foi feito com o apoio dos seguranças e da Federação de Triatlo de Portugal, tendo sido uma tarefa desgastante, devido, essencialmente, ao calor que se fez sentir. Por mim, passou o controlo da passagem dos triatletas após saírem da prova de Natação em direcção ao Pavilhão Atlântico, para lá fazerem a transição para o Ciclismo, as 8 voltas do Ciclismo e as 4 voltas da Corrida. Nisto tudo, a minha missão foi evitar que o público atrapalhasse o bom decorrer desta importante prova e moderar a movimentação – quer de Voluntários, de elementos da Organização, da Comunicação Social, de Polícia ou de Atletas.
Uma das falhas que aponto, e falo apenas do que pude observar, relacionou-se com a segurança e com a missão de cada uma das entidades. Diferentes equipas de segurança estiveram a operar nesta iniciativa: segurança do Pavilhão Atlântico, empresa de segurança privada, seguranças da Federação de Triatlo de Portugal, PSP e voluntários. A falha, neste ponto, teve a ver com as tarefas de cada um destes grupos, agindo cada um por si, descoordenadamente, muitas vezes em antagonismo uns com os outros e sem a interacção desejada. Em alguns casos, o excesso de zelo no que concerne à segurança do percurso provocou alguns constrangimentos no público presente. Outra das falhas que aponto teve a ver com as poucas passagens que o público dispunha para entrar dentro do Pavilhão Atlântico, dado que os circuitos acabavam por circundar o mesmo. Isto veio provocar a impaciência no público, que teve dificuldade em assistir ao evento dentro do pavilhão e mesmo para todos aqueles que querendo fazer o seu passeio domingueiro pelo Parque das Nações não o puderam fazer, desfrutando-o na plenitude.
Fora isto, considero que este foi um evento de uma exposição dantesca, com uma super promoção da modalidade (dado que deu em directo na RTP1) e que mostrou ao país que o desporto pode ser muito mais do que os habituais desportos mostrados.
A ideia da Federação de Triatlo de Portugal de colocar a zona de transições e a meta dentro do Pavilhão Atlântica mostrou-se acertadíssima, dado o número de pessoas que estiveram presentes. Vanessa Fernandes mostrou que pode ser um daqueles ídolos portugueses que nunca serão esquecidos e a organização do evento mostrou que, mais uma vez, Portugal está na vanguarda da organização de eventos, assim haja vontade e condições monetárias para tal.
Todo o movimento que se viu em torno deste evento foi de uma beleza rara no nosso país e prova disso são as mais de 40 mil pessoas que assistiram ao evento ao longo do dia.
Estão, assim, de parabéns a Federação de Triatlo de Portugal, a RTP, que como canal público mostrou a diversidade e todos os voluntários que estiveram presentes e que muito contribuíram para o sucesso deste evento.
Assim vale a pena….
EDGAR BARREIRA