PARECIA UM PEMBROKE…
“ - Ouvi dizer que passeaste um cão!”
“ - O quê?”
“ - Ouvi dizer que passeaste um cão!...”
“ - Ah! Pois foi! Na ‘Cãominhada’…”
“ - Como se chamava?”
“ - Não sei… Chamei-lhe Piurso!”
“ - Piurso? Ah! Ah! Como é que ele era?”
“ - Parecia um Pembroke…Tinha as orelhas espetadas e era baixote… e gordo!”
“ - Podias escrever uma história assim, como disseste, ‘parecia um pembroke’...”
Foi num domingo. O pai já tinha ido para a corrida no Porto e a mãe não estava com vontade nenhuma de ir à “Cãominhada”. Eu pedi muito para ir e ela acabou por deixar. Nunca me tinha levantado com tanta vontade de ir caminhar. “Achas a caminhada pequena para estes dois ‘maguerros’?”, tinha dito a minha mãe ao meu pai na noite anterior… Pois bem! O João ficou em casa da avó São e eu não me cansei nada. Até insisti com a avó Gracinha para ir até ao fim da Cãominhada. E estou muito orgulhosa disso!
A Cãominhada começou junto aos Bombeiros. A carrinha da APADO (Associação Protectora dos Animais Domésticos de Ovar) trazia vários cães do canil. Eu fiquei com um pequenino que parecia um pembroke. A mãe e a São começaram a caminhada antes dos outros porque não queriam esperar. A avó Gracinha ficou comigo. O cão estava mesmo muito feliz.

Começou a Cãominhada. Eu estava encantada a olhar para ele. Ele, pelo contrário, estava mais preocupado em cheirar o rabo dos outros. Dos Bombeiros seguimos a estrada cor-de-laranja até ao Carregal. Depois virámos á direita numa esquina e fomos pelo pinhal até à Pousada da Juventude.
Chegou a hora de beber água. O cão não queria.
“- Vá lá, piurso. Bebe!” disse eu.
O nome piurso ficou. Beber água é que não! Mas a avó deitou-lhe a água em cima e ele bebeu logo. Chegámos ao Dolce Vita e fomos ter ao Skatepark. Aí é que eu e o Piurso corremos, a subir e a descer rampas. Depois passámos por casa da avó São para mostrar o Piurso ao João. O aparecimento da mãe é que estragou tudo: como ela já tinha acabado a caminhada exigiu que eu fosse para casa. Mas eu não quis e lá fui até ao final. Quando chegámos aos Bombeiros, a despedida foi triste. Pelo menos para mim! Quanto ao Piurso, nem sequer olhou para a minha cara…
Ovar, 28/09/2007
ANA MARGARIDA
10 anos