A Modalidade
O remo passou a ser considerado um desporto provavelmente na Inglaterra Victoriana, nos finais do século XVII e inícios do Século XVIII. Durante o século XIX o Remo tornou-se popular na Europa e foi-se espalhando pela América. Rapidamente as provas passaram a ser disputadas por profissionais e pesadas apostas passavam a ser prática comum.
O primeiro campeão a ser reconhecido foi Edwar 'Ned' Hanlan apelidado de "The Boy in Blue" pelo fato que usava, azul da cor do ceú. Hanlan foi descrito como o primeiro verdadeiro campeão do mundo em qualquer modalidade - o remo de competição é anteriro a quaser todos os desportos olímpicos, no que concerne à história moderna. A primeira companhia Oxford - Cambridge teve lugar em 1828 Yale e Harvard foram os primeiros a competir um contra o outro em 1852 em New Hampshires Lake Winnipesaukee.
O Remo é um dos desportos mais antigos e dos que envolve um maior esforço físico. O Remo, como a Natação, utiliza a maior parte dos grupos musculares do corpo humano: pernas, abdominais, peito, costas e braços.
Regras da Modalidade
Embora as técnicas fundamentais do Remo pouco tenham mudado ao longo dos séculos; o design, a construção e o peso dos barcos e remos, evoluiu significativamente. Assim com os barcos modernos, surgiram também uma série de acessórios e equipamentos auxiliares de treino.
Os tipos de barcos oficiais são constituídos por 1, 2, 4, ou 8 remadores, podendo as tripulações de 2 e 4 remadores ter ou não um timoneiro. O Shell (nome do barco de 8 remadores) têm obrigatoriamente um timoneiro. As tripulações de 2 e 4 remadores com um par de remos, têm o nome de Double-scull e Quadri-scull, respectivamente. Para os barcos de um remador e par de remos dá-se o nome de Skiff. Em competição os barcos são designados por referências conforme o esquema aqui apresentado:
|
Descrição |
Referência competitiva |
|
2 remadores, 1 remo cada , sem timoneiro |
2- |
|
2 remadores, 1 remo cada, com timoneiro |
2+ |
|
4 remadores, 1 remo cada, sem timoneiro |
4- |
|
4 remadores, 1 remo cada com timoneiro |
4+ |
|
8 remadores, 1 remo cada, com timoneiro |
8+ (Shell) |
|
1 remador, 1 par de remos |
1X |
|
2 remadores, 2 pares de remos |
2X |
|
4 remadores, 4 pares de remos |
4X |
|
8 remadores, 8 pares de remos (recente) |
Shell remo duplo |
Cada remador está posicionado no barco de costas para a proa (frente do barco). Sentados num assento com rodas (carrinho) que lhes permite o movimento das pernas (com os pés fixos numa pedaleira), o deslocamento do barco é obtido através de uma sequência de movimentos (ciclo da remada) comandados pelo timoneiro ou por um dos remadores. Essa sequência de movimentos inicia-se basicamente com a colocação do remo na água (pegada ou catch), passando pela parte em que o remador aplica força no remo, primeiro com as pernas, depois com o tronco e por fim com os braços (empurrada ou drive) e acabando com o exercício da força final no remo, através do tronco e braços quando o remador se inclina para trás (inclinação ou layback). Nas competições oficiais, o ritmo da remada (voga) é em média 30 a 40 por minuto. Sucintamente é esta a técnica que permite a deslocação do barco. Quanto às categorias para o Remo, temos as de remadores por peso e as de remadores por idade.
|
Naipe |
Categoria |
Limite de peso |
|
|
Masculino |
Peso - leve |
Cada remador 72,5kg Média de remadores 70 kg |
|
|
Masculino |
Peso - pesado |
Sem limites |
|
|
Feminino |
Peso - leve |
Cada remador 59 kg Média de remadores 57 kg |
|
|
Feminino |
Peso - pesado |
Sem limites |
|
|
Júnior |
Sénior B |
Sénior A |
Veterano |
|
Até aos 18 anos |
Dos 19 aos 22 anos |
Mais de 23 anos |
Mais de 27 anos |
No que se refere às competições internacionais, elas estão por norma organizadas em distâncias de 2000 metros em linha recta, com 6 equipas por prova. A duração dessas provas varia consoante o tipo de barco, o clima, a corrente e o condicionamento técnico e físico dos remadores. O tempo de prova é em média de 5 a 8 minutos.
A prática do Remo de competição divide-se em Portugal em 5 categorias
|
Infantis |
Atletas com idades de 10 a 12 anos |
|
Iniciados |
Atletas com 13 e 14 anos |
|
Juvenis |
Atletas com 15 e 16 anos |
|
Juniores |
Atletas com 16 e 17 anos |
|
Seniores |
Atletas com 18 anos ou mais |
A Modalidade em Portugal
A origem do Remo como prática desportiva em Portugal terá tido o seu início na segunda metade do século XIX. Até essa data, o seu exercício estava reservado aos profissionais, sendo contudo conhecidas disputas entre embarcações de transporte de passageiros e entre as guarnições dos navios da Armada Real, as quais despertavam o interesse de multidões que afluíam às margens e aplaudiam com entusiasmo.
São célebres, pelo menos a partir de 1853, as Regatas de Paço de Arcos, em barcos à vela e a remos, promovidas pelo Conde das Alcáçovas e por um grupo de aristocratas, por ocasião dos festejos anuais. No programa de 1854 constava a participação de duas guigas de 4 remos, tripuladas por “curiosos”.
Na sequência destes eventos foi fundada em 1856 a Real Associação Naval (actual Associação Naval de Lisboa), a mais antiga agremiação desportiva da Península Ibérica e uma das mais antigas do mundo. Em 28 de Agosto desse mesmo ano, aquela associação organizou uma regata em Paço de Arcos que constitui a primeira competição regulamentada, organizada por um clube náutico.
O interesse despertado pelo «divertimento das regatas», associado ao “gosto e predilecção” da Família Real pelos passeios a remos no Tejo, deram lugar em 1861, à formação de dois grupos de remadores que podem ser considerados os percursores do desporto do Remo em Portugal. Abel Power Dagge, um dos fundadores da Real Associação Naval e, mais tarde, também fundador do Club Naval de Lisboa, fazia parte de uma das tripulações. Destes acalorados desafios resulta a fundação, em Lisboa, do Rowing Tagus Club e do Club dos Remeiros Lusitanos, os dois primeiros clubes de remo instituídos em Portugal.
Numa época em que o remo desportivo era a modalidade de eleição praticada pela elite inglesa residente na região norte é fundado, em1876, o Club Fluvial Portuense, resultante do entusiasmo de um grupo de portuenses pelos desportos náuticos. Trata-se da colectividade desportiva mais antiga do Norte e a terceira a nível nacional.
Com a introdução, em 1878, dos primeiros outriggers de 4 remos, o desporto náutico entra num período de notável incremento, manifestado pelo aparecimento de novas agremiações, no aumento de sócios e na realização de certames náuticos promovidos por estas colectividades, sendo exemplo disso, as regatas de Paço de Arcos e, mais tarde as regatas de Cascais, as regatas ao longo da muralha da Junqueira e, ainda, as regatas do Porto e da Figueira da Foz.
Em 27 de Janeiro de 1892, é instituído o Club Naval de Lisboa, contando-se entre os seus fundadores, Abel Power Dagge e antigos sócios do entretanto extinto Rowing Club.
Para comemorar o aniversário do Rei D. Carlos e da Rainha Dª Amélia, realizaram-se as Regatas de Cascais em Setembro de 1901, a que se seguiram nos anos seguintes, na mesma data, regatas idênticas que se celebrizaram pelo seu esplendor. Nesta regata havia uma prova timonada por senhoras da sociedade constituindo, provavelmente, uma das primeiras manifestações de desporto feminino em Portugal.
No alvorecer do século XX despertavam grande interesse as regatas em guigas de quatro e de seis remos. No entanto, a falta de uniformidade nas características das embarcações, a que se juntava uma deficiente regulamentação, suscitavam frequentes conflitos que, em alguns casos, conduziam à quebra de relações entre as principais agremiações náuticas.
A necessidade de regulamentação das regatas de Remo mereceu alguma reflexão no Congresso Marítimo Nacional, promovido pela Liga Naval Portuguesa, em 1902, sem que contudo daí resultasse alguma alteração tendo, no entanto, sido aprovada a tese “Impulsionamento do rowing nacional. Sua utilização possível na educação física do povo português”.
A Real Associação Naval, o Real Club Naval de Lisboa, o Club dos Aspirantes de Marinha e do Clube Naval Madeirense, promulgam as Bases da Convenção, ao mesmo tempo que aprovam o primeiro regulamento de regatas de Remo que estabelece as bases para a regulamentação “das corridas de embarcações de Remo“.
A Convenção tem como fim último promover “o desenvolvimento do rowing portuguez”, a ela se devendo o rápido desenvolvimento que o Remo atingiu nos anos que se lhe seguiram.
A proclamação da República teve repercussões nos desportos Náuticos, sobretudo na Vela com o desaparecimento dos Yachts Reais. Consequentemente, os clubes apadrinhados pela Família Real sofreram um duro revés. Porém, lentamente, conseguem reagir reformando os respectivos estatutos, ao mesmo tempo que diversificam a sua acção, tornando-se mais eclécticos, criando secções com diferentes modalidades desportivas, a par de uma intensa actividade cultural e social, patente na organização de festivais náuticos e na promoção de passeios à vela e a remos que movimentam grande número de sócios, respectivas famílias e despertam o interesse da sociedade da época. Paralelamente, promovem a construção em Portugal dos primeiros barcos a remos de corrida.
Os Campeonatos Nacionais de Remo de 1931, organizados pelo Clube Fluvial Portuense e pelo Sport Clube do Porto, realizados no Porto, entre o Bicalho e a Alfândega, destacaram-se pela forte adesão do público que acorreu a ambas as margens para assistir àquele que foi o maior evento desportivo realizado em Portugal até aquela data, tendo-se computado uma assistência superior a 50 mil pessoas. Nesse mesmo ano, as Regatas Internacionais da Figueira da Foz tiveram igualmente grande adesão por parte do público, contabilizando-se cerca de 25 mil assistentes.
A realização, a partir da década de trinta, dos Campeonatos Escolares de Remo, organizados pela Federação Portuguesa de Remo e a criação a nível estatal dos Centros de Remo da Mocidade Portuguesa, movimentaram um maior número de praticantes, facto que se reflecte no fomento da modalidade.
A partir de 25 de Abril de 1974, dá-se início a uma nova etapa no desenvolvimento do Remo desportivo, pautada pelos princípios de democratização do desporto, definidos na política estatal da época, tendo em vista a massificação da modalidade. No âmbito desta política, a Direcção Geral dos Desportos, implementa Planos de Desenvolvimento da Modalidade.
Em 1976, inicia-se o processo de formação de treinadores, sistematizados em vários graus. É estabelecido um intercâmbio com a Polónia com a vinda da equipa olímpica polaca durante todo o mês de Fevereiro, tendo, no âmbito do mesmo, sido dada formação a um elevado número de técnicos nacionais. Paralelamente, assiste-se à criação de Escolas de Remo da DGD por todo o país.
Em 1985, realiza-se o primeiro Congresso de Remo, na Figueira da Foz onde, pela primeira vez, se reúnem todos os agentes desportivos que participam na vida da modalidade, tendo-se debatido amplamente os problemas do Remo. No ano seguinte o Remo passa a integrar as modalidades com planos de Alta Competição que a DGD apoia.
Após esporádicas presenças em 1962 e 1982,
Portugal inicia, em 1986, a sua participação regular e sistemática em
campeonatos do mundo de remo com uma presença em Inglaterra.
A prática desportiva do Remo tem-se diversificado nos últimos tempos e encontramos hoje nos planos de actividade federativos o Remo Indoor, o Remo de Mar, o Remo Adaptado e o Remo de Turismo.
A conquista do primeiro título mundial da sua história, em 1999, a organização do Congresso Extraordinário da FISA na cidade do Porto em 2001, com a presença de 200 delegados de 60 países, e a realização em Montemor – O – Velho, em Agosto de 2002, da Coupe de la Jeunesse, competição onde estiveram presentes 400 participantes de 10 países europeus, deram à Federação e ao País, uma visibilidade exterior impensável poucos anos atrás.
Factos e Números
Em 2004 comemora-se o centenário da primeira regata, tendo lugar ao longo da muralha da Junqueira, entre as docas de Santo Amaro e do Bom Sucesso.
Em 2003, e depois de uma primeira participação no ano anterior, uma tripulação de Remo Adaptado de Soure conquista a primeira medalha num campeonato do mundo.
No ano 2002, depois de um processo iniciado em 1997, é inaugurada a pista de Montemor – O – Velho, obedecendo o seu projecto às especificações da FISA para pistas internacionais.
Em 2001, José Nunes é eleito Presidente da Comissão do Remo Adaptado, sendo o primeiro português a ter assento nas estruturas executivas da Federação Internacional.
No ano 2000, 5 árbitros portugueses obtêm a licença internacional e, 4 deles, passam a partir desta data a marcar presença nas grandes regatas internacionais, incluindo campeonatos do mundo.
Em 1999, uma tripulação de double-skull masculino conquista o seu primeiro título Mundial, no Campeonato do Mundo de Juniores em Plovdiv, Bulgária
Em 1994, a conquista da primeira medalha num campeonato do mundo com uma tripulação de quadri – skull peso ligeiro.
Em 1992 é organizado o primeiro Campeonato Nacional de Remo Indoor que conta com um elevado número de participantes (introduzido nos anos 80 em Portugal).
O regresso aos Jogos Olímpicos, em 1992, após 20 anos de ausência, com uma tripulação de double-skull. Quatro anos depois volta a marcar presença olímpica.
A conquista, em 1990, da primeira medalha na Taça das Nações com uma tripulação feminina em double-skull. No ano seguinte, novamente uma tripulação feminina conquista mais uma medalha na Taça das Nações, uma medalha nas regatas internacionais de Lucerna e atinge a final A no Campeonato do Mundo.
1988 Henrique Baixinho, skiffista peso ligeiro, classifica-se em 4º lugar no Campeonato do Mundo de Milão.
1987 são iniciados cursos de remo (remo indoor) para cidadãos com deficiência.
Em 1966 são criados os escalões etários para os mais jovens, como categoria de remadores.
No ano de 1948 Portugal inicia a sua participação nos Jogos Olímpicos. Em 1952, 1960 e1972 volta a marcar presença nestes eventos.
Em 1922 a Federação Nacional de Remo (actual FPR) inscreve-se na FISA, o que lhe permite fazer-se representar nos campeonatos da Europa.
No Congresso Náutico Nacional realizado no Porto, em Abril de 1920, por iniciativa do Clube Fluvial Portuense, a Associação Naval de Lisboa e o Clube Naval de Lisboa apresentam as bases de uma Federação Nacional de Remo passando, a partir dessa data, a existir uma entidade reguladora do desporto do Remo em Portugal.
O ano de 1919 é marcado pela realização, na Figueira da Foz do Campeonato Internacional de Remo para comemorar a vitória das forças aliadas da Primeira Guerra, onde seria disputada a Taça da Vitória.
Em 1904 as principais associações náuticas de Lisboa concorrem à criação da Taça Lisboa que constituirá um prémio de honra perpétuo destinado a ser disputado num grande Campeonato Nacional, a realizar anualmente em inriggers de quatro remos.
1856 a Real Associação Naval (actual Associação Naval de Lisboa), a mais antiga agremiação desportiva da Península Ibérica e uma das mais antigas do mundo.
Glossário
Afogar ou Enterrar (crab): problema enfrentado por um remador quando seu remo "prende" na água, o que pode ocorrer na pegada ou ao fazer o molinete. Nessas situações o remador pode perder o controle do remo e, até, ser ejectado para fora do barco
Anel (button): espécie de colar de plástico ou metal que mantém o remo ajustado à forqueta
Braçadeira (rigger ou outrigger): dispositivo que conecta a forqueta ao barco e é aparafusado no casco
Bombordo (port): lado direito de quem está olhando para a ré
Borda (gunwale): parte superior dos lados do barco que circunda a parte do barco onde os remadores estão posicionados
Boreste ou Estibordo (starboard): lado esquerdo de quem está olhando para a ré
Bulina (skeg ou fin): espécie de pequena barbatana localizada na parte externa do casco
Carrinho (seat): assento com rodas que desliza sobre o trilho permitindo o movimento de pernas da remada
Chupar (gíria): remador fazer pouca força na remada
Crab: acto do remo prender na água
Escape (pitch): ângulo existente entre a pá (na vertical) e uma linha perpendicular à superfície da água
Estibordo: lado esquerdo de quem está de frente para a ré
Forqueta ou tolete (oarlock): suporte giratório na forma de U que mantém o remo no lugar. Está posicionado na ponta da braçadeira e gira em torno de um pino de metal. É fechado por cima por uma espécie de cancela
Guarnição (crew): equipe de remadores e timoneiro (nos barcos com timoneiro) que tripulam o barco
Leme (rudder): dispositivo de controlo da direcção do barco, manipulado pelo timoneiro ou pelo controle de pé do remador através de cabos
Pá (blade): a extremidade mais larga e chata do remo
Pá de Cutelo (hatchet ou big blade): modelo relativamente novo de pá, na forma de um cutelo, com uma superfície mais larga e curta do que o modelo padrão (macon)
Pedaleira ou finca-pé (foot stretcher): suporte ajustável no qual os pés do remador são presos em uma espécie de sapato
Proa (bow): ponta dianteira do barco (considerando o sentido para onde o barco se desloca). Também designa o remador posicionado mais próximo à proa
Quilha (keel): linha central do barco
Ré ou Regulagem (rigging): ajuste dos vários dispositivos do barco, altura da braçadeira e das forquetas, posição das pedaleiras, escape, localização do anel (alavanca)
Shell: nome do barco com 8 remadores
Skiff: barco de um remador e par de remos
Trilho (slide ou track): trilho sob o qual o carrinho desliza
Timoneiro (coxwain): pessoa que dirige o barco e incentiva os remadores
Voga (stroke rating): cadência, número de remadas por minuto. Também designa o remador posicionado
Popa (stern): ponta traseira do barco