A Federação Portuguesa de Esgrima foi criada em 1922, na cidade de Lisboa. Contudo, a esgrima como desporto organizado já se praticava em Portugal em finais do século XIX, quando o mestre de Armas António Martins fundou o Centro Nacional de Esgrima, instituição praticamente oficial tutelada pelos Ministérios da Guerra e da Marinha.
As primeiras competições de esgrima de que há notícia ocorreram em 1899 e 1900, em Lisboa, e foram presididas pelos reis, que normalmente faziam a entrega dos prémios.
No entanto, para se falar de esgrima desportiva, há que referir as suas origens, perdidas nas brumas do tempo. Nessas épocas recônditas, não era a competição que interessava. Saber esgrima podia significar a diferença entre a vida e a morte.
Com o aparecimento das armas de fogo, nos finais do séc. XIV, a esgrima, até então actividade bélica, passou a praticar-se tanto como uma forma de defesa pessoal nas escuras ruelas das grandes cidades como actividade de lazer ou mesmo de exibição nos salões dos palácios.
Este progresso não teve influência directa apenas na evolução da esgrima, levando a alterar-se, também, o equipamento de combate dos militares. A constatação da inutilidade das armaduras, completamente ineficazes perante os projécteis das novas armas, levou ao seu abandono, tanto pelo seu peso como pela dificuldade dos movimentos que provocavam aos seus utilizadores.
Estávamos então em finais do séc. XVI e Portugal era governado por monarcas espanhóis, reino a que se atribui o nascimento da esgrima desportiva, caracterizada pela complexidade e agilidade dos movimentos e pela utilização de armas mais delgadas, leves e maleáveis do que as usadas em combate e que permitiam a realização de fintas, paradas e respostas que constituíam uma novidade na esgrima daquele tempo.
Por outro lado, a esgrima, tal como continuou a praticar-se em Portugal em finais do séc. XVII, possuía características idênticas àquelas que por cá haviam deixado os espanhóis – e os portugueses eram igualmente considerados hábeis esgrimistas e, sobretudo, temíveis duelistas. De ano para ano os movimentos foram adquirindo velocidade e extensão, que permitiam não só atingir adversários mais afastados, como também a esquiva aos golpes destes.
As acções das armas tornam-se também mais subtis e enganosas. As pontas são protegidas por botões que evitam ferimentos e, acima de tudo, surgem as máscaras, que defendem os golpes dirigidos à cara e protegem os olhos. Pode dizer-se que é com o aparecimento das máscaras e de outra protecções que nasce a esgrima de competição, a qual no séc. XIX já goza de grande popularidade e prestígio e que é ensinada nas principais escolas, no Colégio dos Nobres, no Colégio Militar, no Colégio Académico, etc., e nos mais importantes clubes de Lisboa, como o Grémio Literário, o Turf Clube, o Real Ginásio Clube Português, o Ateneu Comercial e outros.
As acções das armas tornam-se também mais subtis e enganosas. As pontas são
protegidas por botões que evitam ferimentos e, acima de tudo, surgem as
máscaras, que defendem os golpes dirigidos à cara e protegem os olhos. Pode
dizer-se que é com o aparecimento das máscaras e de outra protecções que nasce a
esgrima de competição, a qual no séc. XIX já goza de grande popularidade e
prestígio e que é ensinada nas principais escolas, no Colégio dos Nobres, no
Colégio Militar, no Colégio Académico, etc., e nos mais importantes clubes de
Lisboa, como o Grémio Literário, o Turf Clube, o Real Ginásio Clube Português, o
Ateneu Comercial e outros.
Em 1908 desloca-se a Madrid uma equipa de atiradores portugueses, constituída
por elementos do Centro Nacional de Esgrima. O encontro realiza-se no Parque do
Retiro. A equipa portuguesa perde com a espanhola, mas individualmente é o Dr.
António Horta Osório, um dos mais ilustres advogados da barra de Lisboa, que
vence a competição, tanto quanto se sabe a primeira disputada por portugueses no
estrangeiro.
É também nesse ano que tem lugar no Campo Grande, em Lisboa, o primeiro
Campeonato Nacional de Espada. Participam 25 atiradores de todo o país, saindo
vencedor Frederico Paredes, um jovem de 19 anos do Real Ginásio Clube Português.
Em 1912, em Estocolmo, quando os portugueses participam pela primeira vez em
Jogos Olímpicos, lá está um esgrimista português, Fernando Correia, um dos
fundadores do Comité Olímpico Português.
Com a eclosão da Grande Guerra, não se realizam os Jogos Olímpicos de 1916, que
iriam ter lugar em Berlim, e as grandes provas desportivas multidisciplinares só
voltam a realizar-se em 1919, com os Jogos Interaliados de Paris, em que tomam
parte as equipas representativas dos 18 países vencedores. Portugal apresentou
equipas de sabre e de espada, obtendo nada menos do que 3 medalhas de prata,
individualmente (Jorge Paiva) e por equipas em espada e em sabre. No ano
seguinte, os portugueses voltam a apresentar-se nas provas de espada dos Jogos
Olímpicos de Antuérpia, classificando-se na quarta posição.
Durante os anos que decorreram até ao início da 2ª Grande Guerra, os espadistas
nacionais conquistaram vários lugares de topo nas competições olímpicas, para
além de uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Amsterdão. Pode dizer-se
que os esgrimistas desse tempo pertenciam à elite da esgrima mundial.
Depois da Guerra, os grandes atiradores que se haviam batido nos Jogos Olímpicos
envelheceram e aos mestres de armas faltou-lhes meios e oportunidades para se
manterem a par das novas tácticas e técnicas. Os terceiros Campeonatos do Mundo
de Esgrima, que se organizam em Lisboa, no Pavilhão Carlos Lopes, em 1947,
despertam pouco mais que a curiosidade de alguns espectadores. Em 1948, nos
Jogos Olímpicos de Londres, foi medíocre a actuação dos esgrimistas portugueses,
que não conseguiram ultrapassar as primeiras eliminatórias.
Assim, a esgrima que se vai praticando em Portugal desde o final da guerra
carece de um mínimo de nível técnico susceptível de evitar um total esvaziamento
da modalidade e muito menos que permita qualquer resultado desportivo aceitável.
Aos esgrimistas mais dedicados nada mais resta do que orientarem a sua
actividade no sentido de manterem a sobrevivência do seu desporto de eleição e
de evitarem o seu total esquecimento. Esta luta, levada a cabo por alguns
esgrimistas e mestres de armas a trabalharem em condições totalmente
inaceitáveis, chega a ser heróica.
Só depois do 25 de Abril, com a implementação dos planos de desenvolvimento, o
nosso velho desporto inicia um importante período de desenvolvimento e expansão,
com a esgrima feminina a ocupar o seu lugar nos quadros competitivos oficiais. É
a partir de então que o Estado começa a ter consciência do progresso que a
esgrima começa a revelar e a conceder-lhe apoios capazes de levarem os
portugueses a competir com os melhores atiradores europeus.
Pelas mãos de João Gomes os portugueses ganham a sua primeira medalha de ouro
numa prova da Taça do Mundo. Conquistam medalhas de prata e bronze em
Campeonatos da Europa de Florete e Espada, atingem lugares nas finais de
Campeonatos da Europa e do Mundo e são campeões da Europa em Florete Masculino
por equipas no ano 2000, o que representa o maior sucesso de sempre da esgrima
portuguesa e o único título obtido por uma equipa portuguesa numa disciplina
olímpica.
Frederico Valarinho